Última atualização:

14/07/2009, 03:45


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O Velho e o Mar

Ernest Hemingway


Em Cuba, existe um velho pescador chamado Santiago, que não pega peixes há oitenta e quatro dias. A sua falta de sucesso, entretanto, não consegue quebrar seu espírito indomável. Ele tem um único amigo, um menino chamado Manolin, que o ajudou durante os primeiros quarenta dias da sua má fase. Depois disso, contudo, os pais de Manolin decidiram que o velho era azarado e ordenaram que o menino se juntasse a outro barco. No entanto, mesmo assim todos os dias o menino ajuda o ancião a recolher seu barco vazio.

Santiago diz a Manolin que amanhã ele irá pescar mais longe no Golfo. Os dois retiram as coisas de Santiago do seu barco e vão até a casa do velho. Ela é uma casa muito simples, com apenas uma cama, uma mesa e uma cadeira num chão sujo. Os dois amigos conversam um pouco, depois Manolin sai por algum tempo para trazer comida. Santiago adormece.

Quando Manolin retorna, ele acorda Santiago. Os dois comem a comida trazida pelo menino. Durante a refeição, o menino nota a miséria em que o velho vive e diz para si mesmo que da próxima vez irá trazer para ele uma camisa, sapatos, um casaco e um cobertor para o inverno que se aproxima. Manolin e Santiago falam sobre beisebol e depois o menino vai embora.

Santiago dorme. Ele sonha com a África, onde ele tinha estado como marinheiro em sua juventude. Ele sonha com o barulho das ondas, barcos nativos e leões andando na praia.

Na manhã seguinte, Santiago acorda e vai encontrar o menino na casa dele. Os dois pegam as coisas do ancião e as colocam no barco. Eles tomam café num lugar que atende pesadores bem cedo. Manolin vai buscar sardinhas para o velho pescador. Quando ele volta, deseja boa sorte e Santiago vai para o mar.

Santiago deixa a costa muito cedo, antes do nascer do sol. Em pouco tempo, Santiago rema sobre o Grande Poço, uma repentina queda de setecentas braças onde se reúnem camarões, lulas e peixes pequenos. Santiago prossegue e vislumbra peixes-voadores e pássaros, expressando grande simpatia pelos últimos.

Santiago não se detém no Grande Poço porque ele não tinha conseguido pescar nada lá ultimamente. Ele vê um albatroz e percebe que o pássaro tinha visto algo na água. O velho pescador rema na mesma direção do pássaro e lança suas linhas naquela área, esperando capturar o peixe que o pássaro tinha visto. Há um grande cardume de golfinhos nadando por ali, mas eles seguem rápidos demais para serem apanhados pelo albatroz ou por Santiago. Ele continua, esperando apanhar uma arraia ou talvez até mesmo descobrir um marlim seguindo o cardume. Santiago apanha um pequeno atum em pouco tempo, e logo depois sente uma fisgada em uma das linhas mais profundas.

A primeira mordida é violenta, e quebra a vara à qual a linha está presa. A fisgada seguinte é mais suave, mas Santiago sabe exatamente do que se trata. Cem braças abaixo, um marlim está comendo as sardinhas que escondem a isca. Encorajado por uma mordida tão profunda e tão distante da costa, Santiago deduz que o peixe deve ser muito grande.

O marlim mordisca em volta do anzol por algum tempo, recusando-se a ser fisgado completamente. Santiago fala em voz alta, como se tentasse convencer o peixe a engolir a isca. Depois de muitas falsas mordidas, o marlim finalmente engole o atum onde está enfiado o anzol e puxa um grande pedaço da linha.

Santiago espera um pouco para que o marlim engula o anzol e então puxa a linha com força para trazê-lo para a superfície. Entretanto, o peixe é forte e ele não sobe. Ao invés disso, ele nada para longe, arrastando o velho e seu barco com ele. Santiago deseja que Manolin estivesse ali para ajudá-lo.

Enquanto o sol abaixa no horizonte, o marlim continua na mesma direção, e Santiago perde a terra de vista completamente. Ele manifesta sua firmeza, dizendo em voz alta que não largará o peixe até que ele esteja morto. Santiago deseja que o peixe salte para terminar a luta, mas receia que o anzol escape da sua boca. Lentamente, sua firmeza de propósito vai diminuindo.

Um pequeno pássaro pousa no barco. Enquanto Santiago fala com ele, o marlim dá uma guinada para frente e derruba o ancião, cortando sua mão. Mergulhando sua mão na água para limpar o ferimento, Santiago percebe que o marlim diminuiu sua velocidade. Ele decide comer um atum que tinha apanhado para ganhar forças e suportar sua provação. No entanto, o cansaço se faz sentir e sua mão esquerda fica paralisada enquanto ele está cortando o peixe. Mesmo assim, o velho pescador come o atum, esperando que isso renove suas forças e ajude a recuperar os movimentos da sua mão.

Neste momento, o marlim sai da água por um momento e volta para o mar novamente. Santiago fica espantado com o seu tamanho, pois ele é pelo menos meio metro maior que o barco. Ele percebe que o marlim poderia facilmente destruir o barco se quisesse, e fica feliz pelo peixe não ser tão inteligente quanto um homem. Santiago reza para tranqüilizar suas preocupações e volta a se concentrar na perseguição.

Quando o sol se põe, Santiago pensa sobre seus triunfos no passado para ter mais confiança no presente. Ele lembra uma grande disputa de queda-de-braço que ele teve numa taverna em Casablanca. Ela durou um dia e uma noite, mas Santiago - "El Campeón", como ele era conhecido então - acabou vencendo. Ele decidiu que podia vencer qualquer um com sua força de vontade, inclusive sua mão inutilizada. Santiago tenta movimentar sua mão esquerda, mas ela não obedece.

Lembrando da sua exaustão, Santiago resolve que precisa dormir para conseguir matar o marlim. Ele corta o golfinho que ele tinha trazido para evitar que estragasse e come um pouco dele antes de preparar uma forma de dormir. Santiago amarra a linha ao seu redor e se recosta na proa para se manter firme, deixando sua mão esquerda na linha para despertá-lo caso o marlim desse algum puxão. Em poucos minutos o ancião adormece, sonhando com um cardume de toninhas, sua pequena casa e, por fim, com os leões da sua juventude numa praia africana.

Santiago é acordado pela linha correndo furiosamente pela sua mão direita. O marlim salta da água e tudo o que o ancião pode fazer é segurar a linha, que agora corta seriamente sua mão e o arrasta para o fundo do barco. Santiago recupera seu equilíbrio, no entanto, e percebe que o marlim tinha enchido as bolsas de ar do seu dorso, e não pode mais mergulhar para morrer. O marlim irá nadar em círculos e então a agonia irá começar.

Ao nascer do sol, o marlim começa a percorrer um grande círculo. Santiago segura a linha com força, puxando-a lentamente enquanto o marlim rodeia o barco. Na terceira volta, Santiago vê o peixe e fica novamente espantado pelo seu tamanho. Ele prepara o arpão e puxa mais a linha. O marlim tenta desesperadamente se soltar. Santiago, incapaz de falar pela falta de água, pensa que o peixe o está matando, mas mesmo assim ele o admira. O marlim continua nadando, chegando cada vez mais perto. No final ele fica próximo do barco, e Santiago acerta seu arpão no ventre do marlim.

O peixe dá um salto final e cai na água com violência, cegando Santiago temporariamente com uma chuva de água salgada. Com a pouca visão que tem, Santiago vê o animal morto boiando de costas na água azul, que fica avermelhada de sangue.

O velho pescador se sente muito cansado, mas trata de amarrar sua presa ao barco. Ele tira a linha através das guelras e da boca, mantendo sua cabeça perto da proa. Tendo prendido o marlim, Santiago iça a vela e deixa o vento alísio empurrá-lo rumo ao sudoeste.

Uma hora depois de Santiago ter matado o marlim, surge um tubarão mako. Ele tinha seguido a trilha de sangue que o marlim deixara durante sua agonia. Quando o tubarão se aproxima, Santiago prepara seu arpão, esperando matá-lo antes que ele devore o marlim. Ele golpeia a cabeça do tubarão enquanto ele mastiga parte da carne do marlim. O tubarão morto afunda lentamente no oceano, levando consigo o arpão de Santiago.

Duas horas mais tarde, chegam ao barco dois tubarões-martelo. Santiago amarra sua faca na ponta de um remo e o usa contra os tubarões. Ele mata o primeiro facilmente, mas, enquanto isso, o outro está estraçalhando o marlim sob o barco. Santiago arria a vela sobre um dos lados do barco, inclinando-o e revelando o tubarão debaixo do barco. Depois de alguma luta, ele também consegue matá-lo.

O velho pescador se desculpa com o peixe pela mutilação que ele tinha sofrido, e lamenta ter ido tão longe para pegá-lo. Cansado e desanimado, Santiago se senta e espera pelo próximo predador, desta vez um solitário tubarão-martelo. Santiago quebra a lâmina da sua faca ao matá-lo.

Mais tubarões aparecem ao pôr-do-sol e Santiago agora tem apenas um porrete para afastá-los. Ele não mata os tubarões, mas os machuca o suficiente para impedir que voltem. Santiago aguarda a noite para poder ver as luzes de Havana, que o guiarão para terra. Ele lamenta não ter cortado a espada do nariz do marlim para usá-la como arma; isso é impossível agora, pois ele não tem mais a faca. Ele se desculpa novamente com o peixe. Cerca de dez horas da noite, ele vê as luzes da cidade e navega naquela direção.

Durante a noite os tubarões voltam. Desta vez, é uma matilha com vários tubarões e a luta é muito desigual. Santiago golpeia desesperadamente nos animais, mas logo o porrete é arrebatado das suas mãos por um tubarão. Ele pega a barra do leme e ataca os tubarões até que ela se quebra. Finalmente, os tubarões se afastam. Não há mais nada para eles comerem.

Santiago agora navega como num sonho, sem pensamentos nem sentimentos. Ele se concentra apenas em seguir para casa e ignora os tubarões que vêm mastigar os ossos do marlim. Quando ele chega ao porto, todos estão dormindo. Santiago sai do barco, carregando o mastro no ombro de volta para sua cabana. Ele cai na estrada e se levanta lentamente. No caminho para casa, ele tem que se sentar cinco vezes. Finalmente, ele chega até a cabana e desaba na cama, adormecendo instantaneamente.

Manolin chega na cabana enquanto Santiago ainda dorme. O menino sai rapidamente para trazer algum café para Santiago, chorando pelo caminho. Manolin vê os pescadores reunidos em volta do barco, medindo o marlim, que tem seis metros de comprimento.

Quando Manolin retorna à cabana, Santiago já acordou. Os dois conversam um pouco e Manolin diz que eles irão pescar juntos novamente. Santiago diz que não é uma boa idéia porque ele é azarado. Manolin retruca que isso não importa, pois ele trará sorte para os dois. Santiago concorda e Manolin sai para buscar comida e uma camisa.

Naquela tarde, aparecem turistas no vilarejo. Uma turista vê o esqueleto do marlim balançando com a maré e pergunta ao garçom, em inglês, o que é aquilo. Ele responde, em inglês vacilante, "eshark" (tubarão), pensando que ela queria saber o que tinha acontecido. A turista comenta para seu acompanhante que não sabia que tubarões tinham caudas tão belas.

Enquanto isso, na casa de Santiago, o velho pescador dormia, observado em silêncio por Manolin. Ele sonhava com leões.