A Canção de Rolando


A história se passa na Europa do século VIII. O exército de Carlos Magno, imperador dos francos, está combatendo os muçulmanos na Espanha. A última cidade muçulmana a resistir é Saragoça, governada pelo rei Marsília. Aterrorizado pelo poderio do exército franco, Marsília envia mensageiros a Carlos Magno, prometendo entregar seu tesouro e se converter ao Cristianismo caso os francos retornem à França. Carlos Magno e seus homens estão cansados de lutar e decidem aceitar esta oferta de paz. Eles precisam escolher um mensageiro para enviar de volta à corte de Marsília. O valente guerreiro Rolando indica seu sogro, Ganelão. Ganelão fica enraivecido, pois teme ser morto pelos pagãos sanguinários e suspeita que essa seja a intenção secreta de Rolando. Há muito tempo Ganelão temia e invejava seu enteado e, cavalgando de volta a Saragoça com os mensageiros sarracenos, ele encontra uma oportunidade para se vingar.

Sabendo que provavelmente Rolando irá liderar a retaguarda do exército franco durante a retirada, Ganelão convence os sarracenos a emboscá-los quando estiverem atravessando os desfiladeiros nas montanhas da fronteira. Além disso, Ganelão também ajuda os pagãos a planejarem os detalhes do ataque.

Como o traidor Ganelão tinha previsto, Rolando galantemente se oferece para liderar a retaguarda. O sábio e moderado Olivério e o feroz arcebispo Turpin estão entre os homens que Rolando escolhe para acompanhá-lo. Conforme o planejado, os sarracenos emboscam os francos no desfiladeiro de Roncesvales. Os cristãos estão em enorme inferioridade numérica. Notando isso, Olivério pede a Rolando que toque sua trompa, cujo som característico trará de volta o exército principal dos francos. Orgulhoso, Rolando recusa, dizendo que eles não precisam de ajuda e que podem derrotar facilmente as hostes inimigas. Embora os francos lutem com bravura, é impossível conter os sarracenos e claramente a batalha começa a ficar favorável a eles. Nessa altura, Rolando vê que quase todos seus homens estão mortos. Mesmo sabendo ser tarde demais para salvar a retaguarda, Rolando toca sua trompa, para que o imperador retorne com seu exército e os vingue. Rolando sopra com tanta força que suas bochechas ardem como fogo. Ele morre de maneira gloriosa, como um mártir, e os santos levam sua alma diretamente para o Paraíso.

Ouvindo a trompa de Rolando, o exército franco retorna apressado. Quando Carlos Magno e seus homens chegam ao campo de batalha, eles encontram apenas cadáveres. Os pagãos tinham fugido, mas os francos os perseguem, empurrando-os até o rio Ebro, onde todos eles se afogam. Enquanto isso, Baligante, o poderoso emir da Babilônia, tinha chegado à Espanha para ajudar seu vassalo Marsília a desbaratar a ameaça franca. Baligante e seu enorme exército saem em busca de Carlos Magno e seus homens, e os encontram em Roncesvales, onde os cristãos estão lamentando e sepultando seus mortos. Ambos os lados combatem com valentia. No entanto, quando Carlos Magno mata Baligante, o exército muçulmano foge em desordem. Agora, Saragoça não tem mais defensores e os francos tomam a cidade. Acompanhados por Bratismunda, esposa de Marsília, Carlos Magno e seus homens retornam para Aix, sua capital na França.

Algum tempo depois, os francos descobrem a traição de Ganelão e o prendem, mantendo-o em correntes até chegar o momento do julgamento. Diante do conselho dos barões, convocado por Carlos Magno, Ganelão alega astutamente que sua ação foi uma vingança legítima, proclamada abertamente, e não uma traição. Isso o pouparia da morte, pois a traição era considerada um crime de lesa-majestade, enquanto uma vingança seria punida apenas com o exílio. A princípio, o conselho se mostra inclinado a favor de Ganelão. No entanto, o cavaleiro Thierry se opõe, dizendo que Ganelão traíra Carlos Magno, pois praticara sua vingança sobre Rolando enquanto este estava a serviço do imperador. Pinabel, um amigo de Ganelão, desafia Thierry para um julgamento por combate, o que significava um combate até a morte para decidir que tinha razão. Devido à intervenção divina, Thierry, que era o homem mais fraco, derrota e mata Pinabel. Dessa forma, os francos se convencem da traição de Ganelão e o condenam à morte. Ganelão é esquartejado vivo por quatro cavalos e trinta parentes dele também são enforcados, pois haviam jurado pela inocência de Ganelão.

Última atualização: 26/07/2009, 21:45
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