Última atualização:

26/07/2009, 22:15


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Dom Quixote

Miguel de Cervantes


Livro I

Alonso Quixana é um cavalheiro que vive em La Mancha, no interior da Espanha. Ele tinha lido um grande número de livros sobre cavalaria; como resultado, ele perdeu o juízo e decidiu vaguear pelo país como um cavaleiro andante chamado D. Quixote de La Mancha. Nem sua sobrinha nem sua criada conseguem impedi-lo de montar em seu velho cavalo Rocinante e partir. A primeira aventura termina rapidamente. Ele insiste com um estalajadeiro para que ele o sagre cavaleiro, pois ele acredita que a estalagem era um castelo. Voltando para casa em busca de roupas e dinheiro,Quixote é assaltado, espancado e deixado como morto à beira da estrada. Um viajante resgata Quixote e o leva de volta para casa.

A sobrinha e a criada conversam com dois dos amigos de Quixote, o padre e o barbeiro. Eles concluem que a culpa do estado de Quixote é da sua biblioteca, cheia de livros sobre cavalaria, e decidem destruí-la, queimando os livros. Quando Quixote se recupera, ele pergunta pelos seus livros e sua sobrinha diz que o feiticeiro Munhatão os tinha roubado. Quixote acredita que foi o feiticeiro Frestão, seu inimigo mortal. Tendo encontrado um escudeiro, um camponês chamado Sancho Pança, Quixote parte novamente. Pança rapidamente percebe que seu mestre está louco, mas o escudeiro tem a esperança que Quixote cumpra sua promessa e o nomeie governador de uma ilha. Quixote ataca um moinho de vento, pensando que ele é um gigante, e destrói sua lança durante o processo. De fato, Quixote se envolve em várias altercações e disputas violentas enquanto viaja pela estrada.

Há um interlúdio pastoral e pacífico quando Quixote se junta aos pastores que lamentam a morte do seu amigo Crisóstomo, um poeta que morreu de coração partido. Prosseguindo na estada com Sancho, Quixote tem uma discussão com alguns criadores de cavalos e é espancado tão violentamente que Sancho tem que levá-lo rapidamente a uma estalagem. D. Quixote novamente confunde a estalagem com um castelo. Ele acredita que a filha do estalajadeiro é uma linda princesa que tinha prometido vir para sua cama durante a noite. Mais tarde, Quixote termina acariciando Maritornes, uma criada meio cega e corcunda. Seu amante, um tropeiro de mulas, se enfurece e espanca Quixote quando percebe que Maritornes está tentando se livrar do cavaleiro. No meio da escuridão acontece um grande tumulto, envolvendo Sancho, Maritornes, o estalajadeiro, o tropeiro e D. Quixote, que rapidamente desmaia. Um oficial da Santa Irmandade entra na sala ao ouvir o barulho, e teme que Quixote esteja morto.

Quixote não está morto. Quando ele se recupera, ele pede os ingredientes para preparar para si uma poção curativa, que ele chama de bálsamo de Ferrabrás. Ele prepara o bálsamo, vomita e acorda se sentindo melhor. Sancho bebe o bálsamo e quase morre. No dia seguinte, cavaleiro e escudeiro deixam a estalagem sem pagar. D. Quixote acredita que ela é um castelo encantado e se ofende com a sugestão de que deva pagar pela hospedagem lá. Sancho não escapa tão facilmente quanto Quixote. O escudeiro é arremessado para o alto num cobertor e suas sacolas são roubadas. Num acesso de violência, D. Quixote mata alguns carneiros, perde alguns dentes, rouba uma bacia de um barbeiro (acreditando que é o Elmo de Mambrino) e liberta alguns condenados às galés, que retribuem sua gentileza moendo-o de pancadas.

Quixote faz amizade com Cardênio, o Cavaleiro Esfarrapado do Rosto Triste, que lamenta o fato de sua amada, Lucinda, ter se casado com outro homem, D. Fernando. Cardênio enlouqueceu de tristeza, correndo seminu pelas colinas da Serra Morena. D. Quixote imita Cardênio, clamando por sua amada, Dulcinéia de Toboso. Ele envia Sancho com uma carta para ser entregue a Dulcinéia, mas Sancho encontra o padre e o barbeiro e os leva até Quixote.

Com a ajuda de Dorotéia, uma mulher que tinha sido enganada por D. Fernando, o padre e o barbeiro fazem planos para enganar D. Quixote e levá-lo para casa. Dorotéia finge ser a Princesa Micomicona, que precisa desesperadamente da ajuda de D. Quixote. Segue-se uma intriga romântica combinada com a comédia de erros que cerca D. Quixote. Ao final, Dorotéia volta para D. Fernando e Cardênio volta para Lucinda. Isto acontece na mesma estalagem onde D. Quixote e Sancho Pança tinham estado antes. Vários convidados chegam na estalagem e diversos acontecimentos se sucedem: irmãos separados há muito tempo se reencontram, dois outros pares de amantes são abençoados e D. Quixote quase é preso. A Santa Irmandade tem uma ordem de prisão contra D. Quixote por libertar um grupo de condenados às galés. O padre implora ao oficial que tenha piedade de Quixote por causa da insanidade do cavaleiro. O oficial concorda; Quixote é trancado numa jaula e transportado numa carroça até sua casa. D. Quixote acredita que a jaula é um encantamento, mas quando percebe que ele está sendo levado de volta para sua casa ele não opõe resistência.

Livro II

D. Quixote está de volta para sua casa em La Mancha, sob a vigilância da sua sobrinha e da sua criada. O padre e o barbeiro visitam D. Quixote para saber como ele está. Eles não querem lembrá-lo das suas recentes aventuras porque o velho cavalheiro precisa ficar em casa. Sancho chega com a notícia da existência de um livro chamado "O Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de La Mancha". Sancho encontra um jovem professor chamado Sansão Carrasco, que dá aos dois homens detalhes sobre o livro. D. Quixote e Sancho Pança ficam entusiasmados e decidem continuar suas aventuras, já que as histórias a seu respeito estão sendo registradas e publicadas. A sobrinha de Quixote e a criada tentam impedir que ele parta novamente, mas ele as ignora e torna a pegar a estrada.

D. Quixote decide que precisa ir a Toboso para ver Dulcinéia. Sancho tenta dissuadi-lo, mas Quixote insiste e quer que o escudeiro mostre o caminho. No entanto, Sancho não tem idéia de como chegar lá, pois ele tinha apenas fingido visitar Dulcinéia. Por fim, Sancho arranja uma moça da aldeia e diz que ela é Dulcinéia, mas que infelizmente ela estava sob o efeito de um feitiço. A moça é muito feia e tem um cheiro horrível. Ela foge e D. Quixote fica entristecido, pois a beleza de Dulcinéia tinha sido ocultada dos seus olhos. Os dois viajantes são interceptados pelo "Carro da Morte" e ambos temem por suas vidas. Ao final, os homens dentro da carroça conseguem convencer D. Quixote de que são apenas atores.

D. Quixote prossegue viagem e no meio da noite ele encontra sua aventura seguinte: o Cavaleiro das Florestas e seu escudeiro desafiam Quixote e Sancho para um combate. Durante a noite, os dois escudeiros conversam e ambos se mostram convencidos da loucura dos seus respectivos patrões. Pela manhã, Sancho se recusa a combater o Escudeiro das Florestas por causa do seu rosto enorme e horrendo. D. Quixote olha para o traje vestido pelo Cavaleiro das Florestas e o renomeia como Cavaleiro dos Espelhos. D. Quixote derruba o cavaleiro da sua montaria. O Cavaleiro e o Escudeiro revelam ser Sansão Carrasco e Tomás Secial, um vizinho de Sancho. Sansão tinha planejado derrotar D. Quixote e levá-lo para casa, mas infelizmente ele tinha sido derrotado. D. Quixote pensa que ambos são encantamentos.

D. Quixote se mete em confusões no campo, matando sete carneiros porque pensava serem guerreiros pagãos e tenta infrutiferamente atrair um leão selvagem para lutar com ele. Depois desta aventura, D. Quixote passa a chamar a si mesmo o Cavaleiro dos Leões.

Quixote e Sancho vão a um casamento onde um homem pobre chamado Basílio consegue conquistar a noiva, Quitéria, A Bela, apesar do fato de que ela devia se casar com Camacho, o Rico. O primo de Basílio é cheio de histórias, inclusive sobre a nobre Ordem da Cavalaria. Ele conta a história da Caverna de Montesinos, e D. Quixote fica ansioso para vê-la. Basílio leva os dois até a caverna, que não passa de um buraco no chão. D. Quixote é baixado até o fundo do buraco, onde adormece. Quando D. Quixote é retirado de lá, ele afirma ter tido visões sobre sábios feiticeiros e encantamentos.

A sorte de Quixote piora quando ele se torna o divertimento de um duque e uma duquesa excêntricos. Sancho e Quixote são seus convidados de honra por várias semanas. A criadagem do castelo recebe instruções de pregarem várias peças cruéis nos dois. Todos esses episódios têm o efeito de reforçar a crença de D. Quixote na Ordem da Cavalaria e na existência dos encantamentos. Tanto o duque quanto a duquesa tinham lido o livro sobre os dois aventureiros, e preparam novas histórias e cenários para envolver D. Quixote.

D. Quixote e Sancho são levados para uma caçada ao javali, que é interrompida por uma procissão de demônios e feiticeiros. Ouve-se uma música selvagem e aparece uma carruagem trazendo Dulcinéia, devidamente enfeitiçada. Um feiticeiro proclama que o encanto sobre Dulcinéia somente será desfeito se Sancho Pança se chicotear voluntariamente 3300 vezes. Pouco depois, a Condessa Trifaldi e suas damas de companhia chegam ao castelo, em busca do auxílio de Quixote. Elas foram enfeitiçadas e agora todas trazem barbas no rosto, mas se D. Quixote voar num cavalo de madeira e enfrentar o malvado gigante Malambruno, as senhoras voltarão à sua antiga beleza. Quixote e Sancho são vendados e montam em Clavilenho, o cavalo de madeira com asas. Este cavalo está cheio de fogos de artifício, que estouram, ferindo ligeiramente os dois e derrubando-os no chão.

Sancho Pança é nomeado governador de uma cidade, e surpreende a todos agindo com justiça e sabedoria; no entanto, ele logo deixa o cargo. D. Quixote permanece no castelo, torturado por gatos e por Altisidora, uma donzela que tinha se apaixonado por ele. Dona Rodrigues, uma das damas de companhia da duquesa, pede pela ajuda de D. Quixote, e ele acaba concordando em lutar numa justa pela honra da sua filha. No entanto, a justa nunca acontece.

D. Quixote e Sancho deixam o castelo. Eles são roubados por ladrões, embora o líder do bando, Roque Guinart, devolva o que foi roubado e escolte os dois até Barcelona. Ao chegar lá, D. Quixote se torna a diversão da cidade, se alojando com um nobre chamado D. Antônio Moreno. Ele afirma ter uma cabeça falante que pode prever o futuro e D. Quixote fica fascinado por ela. Carrasco retorna como o Cavaleiro da Lua Branca, e desta vez ele enfrenta e derrota D. Quixote, que tem que jurar voltar para casa e lá ficar por um ano. Quixote pensa que poderia se tornar um pastor mas ele está bastante deprimido.

Pouco depois de Quixote voltar para casa, ele adoece com uma febre. Quixote recupera seu juízo, repudia a Ordem da Cavalaria e os cavaleiros errantes e depois morre.