Última atualização:

03/08/2009, 20:45


Veja Também:

O Príncipe e o Mendigo

Mark Twain


A história se passa na Inglaterra, no século XVI e começa com o nascimento de dois meninos, Tom Canty, um mendigo e Eduardo Tudor, o Príncipe de Gales. Os dois meninos crescem em ambientes diferentes e desconhecem a existência um do outro. Tom vive em Offal Court, uma das regiões mais pobres de Londres, onde seu pai bêbado, John Canty, o obriga a mendigar nas ruas. Apesar disso, ele encontra tempo para aprender Latim e ler os livros do Padre Andrew. As antigas lendas e histórias que ele lê o encantam, e ele começa a se imaginar como um príncipe.

Certo dia, enquanto vagueava pelas ruas de Londres, ele chega até o palácio real. Apanhado olhando boquiaberto pelas grades, os guardas o interpelam agressivamente, mas o príncipe vem em seu socorro. Ele leva o rapaz até seus aposentos e faz perguntas sobre a família dele. Quando Tom manifesta o desejo de vestir trajes de príncipe, os dois trocam de roupas. A espantosa semelhança dos dois surpreende a ambos. Então, num impulso, Eduardo irrompe do seu quarto para punir o sentinela que tinha se comportado rudemente com Tom. O guarda o confunde com Tom e o põe para fora do portão. Desta forma, o príncipe é lançado no duro mundo exterior.

Eduardo sente cansaço e fome enquanto caminha pelas ruas de Londres. Quando ele chega até Offal Court, John Canty o captura e, confundindo-o com seu filho, lhe dá uma enorme surra. Padre Andrew vem salvar o menino das pancadas e é golpeado por Canty. Ao descobrir que o padre estava morrendo em conseqüência da sua agressão, ele foge de Londres, arrastando Eduardo consigo. É a véspera de uma longa procissão em homenagem a Tom, que irá descer pelo Rio Tâmisa e terminar com uma cerimônia no Guildhall. No meio da confusão, Eduardo consegue fugir. Ele segue para o Guildhall, aonde chega quando Tom está sendo homenageado. Os guardas e a multidão zombam dele quando ele afirma ser o príncipe. Eduardo insiste e os guardas estão prestes a atacá-lo quando Miles Hendon entra em cena e o salva.

Nesse meio tempo, os cortesãos acreditam que Tom é Eduardo e, quando o rapaz tenta afirmar sua verdadeira identidade, todos acham que ele enlouqueceu. Tom é levado ao encontro do seu "pai", o rei Henrique VIII. Quando o rapaz falha em reconhecê-lo, Henrique VIII também manifesta dúvidas sobre a sua sanidade e o aconselha a descansar e se distrair. Assim, Tom é forçado a desempenhar o papel de príncipe. Lentamente, ele se habitua às normas do palácio e se adapta à situação. Depois de algum tempo, o rei morre. Tom sente o peso da responsabilidade sobre seus ombros, mas procura desempenhar seu papel com seriedade. Ele ordena que libertem o Duque de Norfolk, condenado à morte pelo seu "pai", além de perdoar vários prisioneiros. O público aprecia seus atos benevolentes e saúda sua sabedoria e sua bondade.

Miles Hendon não acredita que Eduardo é o verdadeiro Príncipe de Gales, mas sente pena do rapaz, o qual acha ser louco. Miles leva Eduardo até o lugar onde está alojado, planejando levá-lo consigo até a propriedade do seu pai, à qual está retornando depois de uma longa ausência. No entanto, John Canty e seus comparsas raptam Eduardo enquanto Miles estava ausente.

Eduardo é obrigado a viver entre vagabundos e rufiões. Ele deplora seu comportamento, mas descobre que muitos desses pequenos criminosos são vítimas das cruéis e injustas leis da Inglaterra. Um dia, ele é mandado mendigar com Hugo, um jovem membro do bando. Quando Hugo tenta extorquir dinheiro de um transeunte, Eduardo revela seu disfarce e foge. Nesta noite, ele se abriga no celeiro de um camponês. Na manhã seguinte, ele é encontrado pela família que vive ali. Embora as crianças acreditem em Eduardo, a mãe não consegue se convencer de que ele é um príncipe verdadeiro. Ela faz inúmeras perguntas a Eduardo e faz com que ele execute diversas tarefas domésticas para testar sua identidade. Quando John Canty se aproxima da casa, Eduardo foge e mais tarde se refugia na casa de um eremita louco. O homem tenta matá-lo, mas antes que ele possa pôr as mãos em Eduardo, John Canty e Hugo chegam e o levam embora. Eduardo é novamente lançado na companhia de ladrões e mendigos.

Hugo ansiava pela oportunidade de se vingar de Eduardo. Certo dia, os dois saem juntos novamente e Hugo faz com que Eduardo seja falsamente acusado de roubar o embrulho de uma mulher. A polícia o captura, mas um juiz piedoso e Miles Hendon o ajudam a escapar da punição da lei. Então Miles leva Eduardo até Hendon Hall para apresentá-lo à sua família. Entretanto, ele sofre um choque ao chegar. Seu irmão Hugh, que tinha se apossado da propriedade após a morte do pai deles, finge não reconhecê-lo e faz com que Miles e Eduardo sejam presos.

A experiência na prisão ajuda Eduardo, pois ele aprende paciência e perseverança com seus colegas prisioneiros, que são na sua maioria vítimas inocentes punidas cruelmente pela lei. Ele jura desfazer as duras leis do país e trazer alívio aos prisioneiros. Depois de serem libertados, Eduardo e Hendon rumam para o palácio em busca de justiça, mas acabam sendo separados na Ponte de Londres.

Durante esse tempo, Tom se familiariza com seus deveres e se porta com dignidade. Ele também aprende sobre o palácio e seus assuntos com Humphrey, seu pajem e companheiro de estudos. Lentamente, ele começa a apreciar a vida luxuosa e o poder da realeza, e se envergonha das suas origens. Quando ele é levado numa procissão de consagração através de Londres pouco antes da sua coroação, ele avista sua mãe na multidão, mas se recusa a reconhecê-la publicamente. Imediatamente ele se sente culpado e, após este incidente, os adornos da realeza não parecem mais serem tão gloriosos.

Durante a cerimônia de coroação, Tom fica preocupado e agitado. Ao final da cerimônia, quando o Arcebispo de Canterbury ergue a coroa para colocá-la na sua cabeça, Eduardo aparece subitamente e declara ser o verdadeiro rei. OS cortesãos se sentem ultrajados pelas palavras do intruso, mas ficam intrigados ao perceberem a notável semelhança entre os dois rapazes. Lorde Hertford testa Eduardo, fazendo perguntas sobre o palácio e seus habitantes. Satisfeito com as respostas recebidas, ele pede que Eduardo revele a localização do Grande Selo, que estava desaparecido há algum tempo. No início, Eduardo se engana. No entanto, com a ajuda de Tom, ele se lembra onde o tinha deixado e o Grande Selo é recuperado. Eduardo é reconhecido como o rei e coroado pouco depois.

Tom Canty e Miles Hendon ganham poder e posição, permanecendo leais à Coroa. Praticamente todos os súditos que Eduardo tinha encontrado e que tinham sofrido duramente durante o reinado de Henrique VIII são libertados da servidão ou recebem alguma compensação. Nunca mais se ouve falar de John Canty; Hugh Hendon abandona o país e morre pouco tempo depois. Miles se casa com Edith, seu verdadeiro amor, e leva uma vida feliz. Eduardo governa com tolerância e é lembrado como um rei benevolente.