Última atualização:

28/07/2009, 19:15


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As Viagens de Gulliver

Jonathan Swift


Lemuel Gulliver, um médico-cirurgião, fala ao leitor e explica que ele irá narrar suas experiências no mar. Ele relembra sua juventude, sua educação e seu casamento com a sra. Mary Burton, e suas razões para contar essas histórias. Na verdade, é apenas uma maneira de registrar suas lembranças, nada mais. Na sua primeira viagem, ele enfrentou uma terrível tempestade, que fez com que ele fosse lançado ao mar agarrado em um pedaço de madeira. Após uma noite inteira nadando, ele chega a uma ilha e adormece na praia. No dia seguinte, ao acordar, ele descobre que está preso ao chão por inúmeras cordas e vê centenas de homenzinhos minúsculos ao seu redor. Eles dizem que Gulliver está num país chamado Lilipute. Como eles jamais tinham visto um gigante como ele, concluíram que ele podia ser perigoso e o amarraram por precaução. Depois de muita conversa, Gulliver é libertado e conduzido até a capital, onde ele lentamente se adapta à vida naquele país, com inúmeras dificuldades quanto à alimentação e alojamento.

Meses mais tarde, Gulliver descobre que Lilipute está em guerra há muito tempo com um país vizinho chamado Blefuscu, por um motivo banal: em Lilipute quebram-se os ovos pela parte mais fina da casca, enquanto em Blefuscu os ovos são quebrados pela parte mais grossa. Um dia, quando Blefuscu ataca Lilipute, Gulliver captura os navios de Blefuscu e impede o ataque. Embora os liliputianos peçam a ele para destruir as forças de Blefuscu, Gulliver se nega e obriga os dois países a assinar um tratado de paz honroso para ambos, sendo condecorado pelo imperador de Lilipute por isso. Depois de alguns anos vivendo em Lilipute, Gulliver é obrigado a deixar o país, pois ele é informado que o governo está pensando em prendê-lo por traição, já que ele mantém boas relações com pessoas mal vistas na corte e com membros do governo blefuscuniano. Gulliver parte para Blefuscu, onde é bem recebido. Lá, ele constrói um barco e consegue retornar à Inglaterra.

Pouco tempo depois de reencontrar sua família, Gulliver parte em viagem novamente. Desta vez, seu navio naufraga e ele chega até a terra de Brobdingnag, que é o oposto de Lilipute. Lá, ele é o homenzinho, pois todos são gigantes para ele. Tendo uma visão microscópica da humanidade, Gulliver descobre a natureza grotesca das pessoas, tanto espiritualmente quanto fisicamente. Ele é capturado pelos gigantes e passa a viver em uma espécie de casa de bonecas de madeira, feita especialmente para ele. Embora ele seja amado por sua dona, Glumdalclitch, e seja apreciado pelo rei e pela rainha de Brobdingnag, a quem foi exibido durante sua viagem pelo reino, Gulliver sente falta de pessoas do seu próprio tamanho. Além disso, ele teme por sua vida, pois ele está exposto constantemente a perigos inesperados devido ao seu tamanho, como, por exemplo, ser confundido com um rato por um cachorro faminto. Enquanto ele planeja maneiras de escapar, um grande pássaro apanha inesperadamente sua casa e a leva nas patas por uma longa distância pelo mar, até que se cansa e a deixa cair na água. Gulliver flutua à deriva por dias até que é resgatado por um navio inglês. No início, ninguém acredita nele, embora ele fale sempre aos gritos para ser ouvido e tenha o hábito de olhar para cima ao falar com as pessoas. No entanto, depois de mostrar alguns objetos gigantescos que ele trouxe dentro da casa, eles passam a acreditar na sua história e ficam impressionados com suas aventuras.

Gulliver volta para sua casa e, alguns meses mais tarde, decide voltar a viajar, para grande irritação da sua família. Em alto mar, seu navio é capturado por piratas. Gulliver consegue escapar até uma terra desconhecida. Mal ele desembarca, é preso pelos cidadãos do país, que se chama Balnibari. Sem saber o que fazer com ele, decidem enviá-lo para a sede do governo, que fica numa estranha ilha voadora, chamada Laputa. Os laputanos governam seu mundo através da matemática e da ciência, mas não conseguem aplicá-las ao bem-estar das pessoas. Todos andam com roupas mal cortadas e costuradas, embora sejam formadas por figuras geométricas e musicais. Além disso, ficam tão concentrados em devaneios matemáticos que se esquecem de tudo o mais, tendo que ser acompanhados por criados com pequenos chocalhos, que são usados para bater levemente em seus patrões e lembrá-los de falar ou comer. Gulliver rapidamente se cansa desse povo e retorna para Balnibari. Ele visita a cidade de Lagado e sua Academia, onde cientistas pesquisam assuntos absurdos, como extrair raios de sol de pepinos ou produzir comida a partir de excrementos humanos. Ele também visita Glubbdubbdrib, onde os espíritos são regularmente consultados. Gulliver conversa com os fantasmas de figuras históricas, tais como Alexandre, o Grande e Júlio César, e descobre que suas vidas também tiveram uma grande dose de sofrimento e dificuldades. Por fim, ele visita a cidade de Luggnagg, onde vivem os Struldbruggs, uma raça de pessoas imortais. Conversando com eles, Gulliver descobre que a imortalidade não é tão desejável quanto parece, pois ela traz vários problemas, como a falta de memória, a mesquinharia e o tédio. Após tantas desilusões, Gulliver deixa Balnibari e retorna para casa.

Muito tempo depois, Gulliver parte para sua última viagem. Dessa vez, seus próprios companheiros de viagem se voltam contra ele, o agridem e o abandonam num bote em águas desconhecidas. Eventualmente, ele chega até terra, onde não vê nada além de pegadas de alguns humanos, vacas e muitos cavalos. Ele encontra os Houyhnhnms e os Yahoos. Os Houyhnhnms são idênticos a cavalos e são a raça governante daquela terra. Já os Yahoos se parecem muito com seres humanos, e, embora vivam como criados dos cavalos, são brutos, sujos, agressivos e perigosos.

Os Houyhnhnms vêem Gulliver como apenas outro pérfido Yahoo, até que um deles acha Gulliver diferente, o toma sob sua tutela e procura aprender sobre sua cultura. Este mestre cavalo se afeiçoa a Gulliver, tornando-se seu amigo. Gulliver, por sua vez, tenta aprender tudo o que pode sobre essa maravilhosa cultura. Ele começa a desprezar a raça humana e a admirar a cultura dos Houyhnhnm, que valoriza a razão e o respeito à verdade. No entanto, a Assembléia dos Houyhnhnm logo decide expulsar Gulliver do país, pois ele é muito parecido com um Yahoo para continuar a viver como um Houyhnhnm. Gulliver fica profundamente triste, mas ele respeita as leis e regulamentos do país e se conforma com a decisão. Com a ajuda do seu mestre, ele constrói um barco e retorna à Inglaterra, depois de viver quatro anos com os Houyhnhnms.

Sua família já o tinha dado como morto e fica chocada ao vê-lo. Gulliver tinha adquirido os modos de um cavalo e acha todos os seres humanos detestáveis, especialmente sua família. O tempo que ele passou com os Houyhnhnms alterou sua perspectiva da sociedade para sempre, fazendo sua vida infeliz na Europa. Ele eventualmente se acostuma novamente à vida na Inglaterra, mas compra dois cavalos para mantê-los como companhia. Ele fala com eles quatro horas por dia daí em diante, e escreve sobre suas experiências e explorações pelo mundo.