Crime e Castigo


Fiódor Dostoiévski


A história começa num certo dia de julho, em São Petersburgo. Um jovem pobre, ex-estudante, chamado Rodion Romanych Raskolnikov (também conhecido como Rodya), sai de seu apartamento bastante preocupado com alguma coisa. Ele vai até o apartamento de Alyona Ivanovna, uma agiota, onde ele tenta tomar uma decisão sobre o problema que o incomoda tanto.

Ele tinha penhorado alguma coisa com esta mulher no mês anterior, e agora empenha um velho relógio por muito menos do que ele esperava. Ele observa cuidadosamente o ambiente e os movimentos da mulher, e se despede depois de mencionar algo sobre voltar mais tarde para um novo negócio.

Atormentado, ele vaga pelas ruas e entra numa taverna, pensando que se sentirá melhor após comer e beber alguma coisa. Ele encontra Semion Zakharovich Marmeladov, um militar aposentado que está bastante bêbado. Marmeladov conta a história da sua vida para Raskolnikov, incluindo sua exigente esposa Katerina Ivanovna, seus três filhos pequenos e sua filha mais velha, Sonya, que teve que se prostituir para conseguir dinheiro para a família. Marmeladov tinha conseguido uma posição recentemente mas a tinha perdido quase de imediato devido ao seu alcoolismo. Ele tinha saído de casa há cinco dias, tendo roubado o dinheiro do seu salário e gasto tudo em bebida.

Marmeladov pede a Raskolnikov para levá-lo para casa. Rodion o ajuda e presencia Katerina Ivanovna atacar seu marido e arrastá-lo pelos cabelos. Ela expulsa Raskolnikov, supondo que ele seja um companheiro de bebedeiras do seu marido. Ao sair, ele discretamente deixa um punhado de moedas no peitoril da janela. Após ir embora, ele lamenta seu ato, mas não pode voltar para pegar o dinheiro.

No dia seguinte, ele desperta ainda se sentindo cansado. Natasya, a criada da senhoria, entra trazendo um pouco de chá para ele, bem como os restos do jantar da véspera. Como ele estava com o aluguel atrasado, a senhoria tinha parado de enviar o jantar para ele. Natasya também diz que ele tinha recebido uma carta. Agitado, ele faz com que ela a traga e ordena que ela saia do quarto para que ele possa lê-la.

A carta é da sua mãe, Pulcheria Alexandrovna, e fala basicamente a respeito da sua irmã Avdotya Romanovna, também chamada de Dunya. Ela estava trabalhando como governanta na casa da família Svidrigailov, mas, ao notar que o marido se sentia atraído por ela, a esposa, Marfa Petrovna, tinha demitido-a, achando que ela estava provocando o interesse do patrão. Além disso, ela espalhou boatos maldosos sobre Dunya pela cidade, arruinando sua reputação. No entanto, Svidrigailov tinha dado provas da pureza e inocência de Dunya. Convencida do seu erro, Marfa Petrovna se arrependera e tinha tentado restaurar a reputação de Dunya de forma quase cômica. Além disso, ela tinha apresentado Dunya a um parente seu, Pyotr Petrovich Luzhin, o qual se tinha interessado por ela. A carta concluía dizendo que Luzhin, Dunya e Pulcheria chegariam em breve a São Petersburgo e gostariam muito de encontrar Rodion.

Rodya sai para caminhar e pensar. Embora sua mãe tenha colocado um tom positivo em todos os acontecimentos, Rodya tinha concluído que Luzhin não ama Dunya e não é digno dela; por sua vez, Dunya estava consciente disso, mas tinha resolvido se casar com ele para melhorar as condições de vida da família. Desgostoso e irritado, Rodya recusa-se a aceitar esse auto-sacrifício; mas depois de resolver interromper este relacionamento, ele se indaga se ele tem o direito de se intrometer.

Raskolnikov percebe que ele estava automaticamente se encaminhando para a casa de Dmitri Prokofych Razumikhin, seu único amigo da universidade. Ele decide que irá ver Razumikhin no dia seguinte "àquilo", isto é, o ato que o preocupa. Ele perambula sem destino e acaba adormecido no lado da rua. Ele sonha que estava assistindo um bando de camponeses espancarem um velho pangaré, até que o pobre cavalo cai e morre.

Ele acorda assustado e se sente profundamente feliz por ter sido apenas um sonho. Ele pensa novamente "naquilo", e repentinamente conclui que nunca poderá fazer isso. Sentindo-se renovado e bem melhor, ele vai para casa. No entanto, ele faz um desvio pelo mercado, onde ele ouve um trecho de conversa entre dois negociantes e Lizaveta Ivanovna, a meia-irmã da agiota. Ele descobre que Lizaveta estará fora de casa na noite seguinte, tratando de negócios. Raskolnikov fica subitamente excitado ao saber com certeza que Alyona Ivanovna estará sozinha em casa num determinado dia e horário; isso representa uma oportunidade única para ele. Pois ele finalmente revela que o ato que tanto o obceca é o assassinato da agiota, seguido do roubo dos seus bens, para seu benefício e talvez o de outras pessoas. Rodya planeja ter domínio absoluto da sua vontade e das suas emoções, permitindo que ele cometa o crime perfeito.

Ele chega em casa e cai num sono estranho e agitado. Ele desperta à noite, e teme ter perdido sua chance. Rodion imediatamente se apressa, faz seus preparativos e segue para a casa de Alyona Ivanovna.

Apesar do adiantado da hora, ele consegue entrar, sob o pretexto de ter um novo negócio urgente, e entrega a ela uma bolsa amarrada com cordões, cujos nós foram feitos de forma propositalmente complicada. Enquanto ela tenta desfazer os nós, Rodya saca um machado e golpeia Alyona na cabeça repetidas vezes, até se certificar que ela está morta.

Muito nervoso, ele revira a mobília até finalmente conseguir destrancar uma arca cheia de objetos. Enquanto Raskolnikov enche seus bolsos, ele ouve passos. Ele fica imóvel e percebe, em pânico, que alguém tinha entrado na casa. Agarrando seu machado, ele corre para a sala, onde encontra Lizaveta, a qual estava horrorizada olhando o corpo da sua meia-irmã. Rodya salta para ela e também a mata com o machado.

Ouvindo ruídos de pessoas do lado de fora, Raskolnikov tranca a porta e se agacha atrás dela, escutando o falatório. As pessoas parecem desconfiar que há alguma coisa errada, e se afastam para buscar ajuda. Silenciosamente, Rodya se esgueira para fora do apartamento e consegue voltar para casa sem ser notado, embora ele tenha cambaleado por quase todo o caminho.

Depois de um sono bastante agitado, pontilhado de momentos de atividade frenética, Rodya é acordado pela entrada de Nastasya acompanhada pelo zelador, que entrega a ele uma intimação para comparecer à delegacia. Em pânico, ele imagina por que teria sido intimado; apesar do seu evidente mal-estar, ele se levanta e vai até lá.

Seus nervos estão em frangalhos, mas ao chegar na delegacia, Rodion descobre que tinha sido convocado para pagar uma nota promissória que ele tinha feito para a sua senhoria tempos atrás. Aliviado, ele escreve uma declaração da sua promessa de pagamento, dirigida pelo escrevente. Enquanto isso, o chefe de polícia, Nikodim Fomich, e seu assistente, Ilya Petrovich, estão conversando sobre os assassinatos. A tensão é grande demais para Raskolnikov, e ele desmaia.

Ao voltar a si, ele percebe que todos estão olhando para ele de forma estranha. Petrovich começa a perguntar onde ele estava na noite passada, mas Fomich repreende seu ajudante e Raskolnikov é liberado.

Rodya volta para casa. Ele se certifica que seu apartamento não tinha sido revistado, e retira todos os bens roubados de onde ele os tinha escondido. Ele sai e acaba ocultando-os sob uma pedra num pátio deserto. A seguir, ele vai até a casa de Razumikhin, que fica surpreso em vê-lo. Entretanto, Raskolnikov parte pouco depois de ter chegado, deixando Razumikhin frustrado e indignado.

Rodya volta para casa e vai para a cama. Na manhã seguinte, ele cai inconsciente, sucumbindo por fim à doença que vinha se manifestando há algum tempo.

Quando finalmente ele volta a si, Razumikhin está lá, tendo cuidado dele durante sua doença, e Rodya recebe 35 rublos da sua mãe, que tinha conseguido adiantados do valor a receber da sua pensão. Razumikhin, que nesta altura já tinha feito amizade com praticamente todas as pessoas que estavam envolvidas na vida de Rodya, tinha resgatado a promissória dele e pego parte do dinheiro para comprar algumas roupas de segunda mão para ele.

O doutor Zossimov examina Rodya e começa a conversar sobre os assassinatos com Razumikhin durante sua visita. Razumikhin tinha conhecido Zamyotov, o escrevente da delegacia, e eles discutem a inocência do principal suspeito, Nikolai Dementiev, que tinha estado pintando a casa na época do crime. Raskolnikov sente-se torturado por tudo isso.

No meio da conversa, chega Luzhin, o noivo de Dunya. Ele veio para convencer Rodion das suas boas intenções, mas ambos travam uma tremenda discussão entre os dois, que termina com Rodion o expulsando dos seus aposentos.

Raskolnikov ordena que todos saiam, e depois de ficar sozinho ele se levanta e sai. Após vaguear sem destino, ele entra numa taverna, onde ele encontra Zamyotov. Rodya entra numa espécie de jogo com o escrevente, irritando-o e fazendo com que ele comece a acreditar que Rodion era o assassino. No final, Raskolnikov nega tudo, o acusa de forjar sua culpa e sai indignado. Sua defesa foi tão veemente que Zamyotov se convence da inocência de Rodya.

Na saída, Rodya encontra Razumikhin, que está bastante irritado pelo seu comportamento irresponsável, desaparecendo sem aviso enquanto ainda estava convalescendo. Eles discutem, mas ao final Razumikhin o convida para uma festa que ele dará esta noite. Rodya recusa bruscamente e vai embora. Frustrado, Razumikhin vai conversar com Zamyotov.

Rodion anda a esmo, pensa em se jogar no rio mas acaba se decidindo a ir para a delegacia se entregar. Entretanto, no meio do caminho ele passa perto da casa de Alyona Ivanovna e, num impulso inexplicável, resolve ir até lá. Alguns trabalhadores estão realizando reparos na casa. Rodya os assusta fazendo repetidas perguntas sobre o sangue e tocando a campainha sem parar, apenas para ouvir o seu som. Eles se reúnem e discutem se devem levar este maluco até a polícia. Apesar de Rodya concordar com a decisão deles, eles mudam de idéia e somente o colocam para fora da casa.

Ele fica no meio da rua, hesitando sobre onde ir. Ele percebe um tumulto mais adiante e resolve ver o que estava acontecendo. Ele descobre que era Marmeladov, que estava bêbado e tinha atropelado por uma carruagem. Rodya toma a frente do caso e leva Marmeladov até o apartamento dele. Eles mandam chamar um médico e um padre. Sonya também é chamada e Marmeladov, depois de pedir perdão, morre nos braços dela. Rodya entrega todo o seu dinheiro para Katerina Ivanovna para as despesas do funeral, incluindo o que restava do dinheiro enviado pela sua mãe, e parte.

Ele se sente renovado. No seu caminho para casa, ele pára no apartamento de Razumikhin. Razumikhin, que tinha bebido bastante, decide acompanhá-lo até em casa. Eles abrem a porta e encontram a mãe e a irmã de Rodya à espera. Assustado, ele desmaia. Ao se recobrar, ele exige que Dunya rompa seu noivado com Luzhin, e comporta-se de forma grosseira e agressiva. Razumikhin fica indignado e toma o partido das senhoras. Ele as acompanha até em casa, e tendo imediatamente se encantado com a bela Dunya, promete retornar duas vezes para relatar o estado de saúde de Rodya. A despeito das dúvidas das senhoras sobre suas habilidades, ele cumpre integralmente suas promessas.

No dia seguinte, ele se sente embaraçado ao lembrar seu comportamento embriagado. No entanto, quando ele vai ver as senhoras, elas não somente são gentis com ele como também se mostram gratas. Elas fazem a ele todo tipo de pergunta sobre Rodya. Elas também mostram uma carta de Luzhin que elas tinham recebido naquela manhã, pedindo um encontro às oito horas da noite e exigindo que Rodya não estivesse presente. Eles vão ver Rodion e o encontram com Zossimov. Rodya está estranho e um tanto distante, e o encontro é tenso. Rodya diz a Dunya que ela tem que escolher entre ele e Luzhin. Ela pede que ele e Razumikhin estejam presentes no encontro das oito horas.

Sonya, que tinha sido citada de forma depreciativa na carta de Luzhin, entra no aposento. Ela e Rodya ficam um tanto embaraçados, mas ele a apresenta à sua mãe e sua irmã e acomoda perto das duas. Sua família sai pouco depois. Rodya pede para Sonya esperar um pouco, conversa com Razumikhin em particular para perguntar se ele poderia ver Porfiry Petrovich (que era o investigador encarregado dos assassinatos e conhecido de Razumikhin) e saem todos juntos. Rodya promete procurar Sonya mais tarde e pede seu endereço. Eles partem para a rua. Um estranho que tinha ouvido Sonya chamar Rodya pelo nome segue-a até sua casa, e fica surpreso aos descobrir que ele vive muito perto dela.

Rodya entra no apartamento de Porfiry Petrovich com excelente humor, mas fica surpreso ao ver que Zamyotov também está lá. A conversa não se desenrola muito bem; Rodya rapidamente perde seu auto-controle diante do inescrutável Porfiry. Porfiry, que é muito interessado em Psicologia, menciona um artigo escrito por Rodya chamado "Do Crime", no qual ele explora a psicologia criminal. Ele também apresenta sua própria teoria, que divide a Humanidade em massas e líderes, os quais são homens extraordinários que têm grandes idéias e algo novo a dizer. Ele também argumenta que esses homens, perante suas consciências, têm todo o direito se cometer crimes enquanto perseguem suas idéias, se assim acharem necessário.

Porfiry convida Rodya para vir ao seu escritório no dia seguinte. Rodya e Razumikhin saem para se encontrarem com Dunya e sua mãe. Quando eles estão quase chegando, Rodya subitamente diz a Razumikhin que ele tem algo a fazer, mas se juntará a eles mais tarde. Ele volta apressado para casa, verifica se tinha deixado qualquer evidência no seu quarto e sai. Lá fora, o zelador aponta um negociante que tinha estado perguntando por Rodya. O negociante, que ainda estava lá, olha para Rodya e se afasta sem dizer uma palavra. Rodya o alcança e pergunta o que ele quer. O homem o chama de assassino e desaparece sem dar explicações.

Abatido, Rodion retorna para seu quarto e se deita. Seus pensamentos giram ao redor deste homem desconhecido que parece saber tudo. Ele reflete sobre sua falha ao cometer o crime. Ele tinha mostrado ser um "perdedor" e não um "homem extraordinário". Rodya adormece e tem pesadelos. Ao acordar, ele encontra um homem no seu quarto, o qual se apresenta como Arkady Ivanovich Svidrigailov.

Depois de uma conversa um tanto estranha, Rodya exige saber o que o homem deseja. Ele retruca que tinha vindo oferecer dez mil rublos a Dunya para que ela rompa seu noivado com Luzhin. Embora inicialmente indignado, Rodya por fim consente em transmitir o seu recado para ela. Ao sair, Svidrigailov conta a Rodya que Marfa Petrovna, que tinha morrido recentemente, tinha deixado três mil rublos para Dunya no seu testamento.

Razumikhin chega para apanhar Rodya e eles seguem para seu encontro. No caminho, Rodya confia sua família aos cuidados de Razumikhin. No encontro, Dunya anuncia que ela deseja que Luzhin e Rodya se reconciliem. Entretanto, Luzhin recusa; pouco depois, irrompe outra briga e Dunya, enfurecida e insultada, rompe o noivado e o põe para fora. Luzhin parte, furioso com Rodya e mantendo esperanças de conseguir se reconciliar com Dunya e a mãe dela.

Todos ficam alegres, especialmente pelo legado de Marfa Petrovna para Dunya, e eles começam a fazer planos para o futuro. Rodya, entretanto, parece incomodado e sai abruptamente, pedindo para ser deixado sozinho. Razumikhin vai atrás dele. Rodya novamente confia sua família a Razumikhin e eles trocam um longo olhar no corredor, através do qual Rodya parece transmitir seu horrível segredo para seu amigo.

Rodya vai imediatamente até Sonya. Ele a atormenta e também beija seus pés. Ele imagina como ela tinha conseguido manter sua alma intocada, e descobre que ela tinha sido preservada pela sua inabalável fé em Deus. Suspeitando que ela é uma "santa tola", Rodya pede que ela leia para ele a história de Lázaro na Bíblia. Depois que Sonya termina a leitura, ele vai embora, mas antes promete contar a ela quem matou Lizaveta se ela voltar no dia seguinte. Sem que eles soubessem, Svidrigailov estava ouvindo a conversa atrás da porta com grande interesse.

Na manhã seguinte, Rodya vai ao escritório de Porfiry Petrovich. Novamente, a conversa se desenrola mal, pois Rodya é incapaz de decifrar Porfiry. Este é um jogo psicológico de gato e rato, e Porfiry faz referências veladas ao próprio comportamento de Rodya para afirmar que a natureza humana está do lado do investigador, pois mais cedo ou mais tarde ela fará com que o criminoso se revele. Frustrado pelas repetidas tentativas de Porfiry em pegá-lo dizendo mentiras, Rodya explode com medo e indignação. Quando ele está saindo, Nikolai Dementiev, o pintor que tinha estado sob suspeita nos assassinatos, irrompe na sala, cai de joelhos e faz uma confissão, deixando Porfiry de tal forma perplexo que Raskolnikov mal pode esconder sua satisfação.

Rodya vai para casa para um pequeno descanso, e logo segue para o almoço em memória de Marmeladov. Na porta de casa, ele encontra o negociante que o tinha chamado de assassino. O homem pede perdão pela sua suspeita. Isso deixa Rodya aliviado, pois agora Porfiry não tinha nenhum motivo para manter suas suspeitas.

Enquanto isso, Luzhin prepara um plano para desacreditar Raskolnikov perante sua família, causando a prisão de Sonya e, com isso, voltando às boas graças de Dunya. Antes do almoço em memória de Marmeladov, Luzhin chama Sonya e dá a ela cem rublos, retirados de uma grande pilha de dinheiro que ele estava contando, diante do seu companheiro de quarto, Andrei Semyonovich Lebezyatnikov.

Sonya então vai ao almoço, além de Rodya estão presentes Katerina Ivanovna e um grande grupo de convidados, a maioria dos quais é bastante desagradável. O almoço corre muito mal, e está a ponto de estourar uma briga quando Luzhin entra. Diante de todos, Luzhin acusa Sonya de ter roubado mil rublos dele. Ela nega, mas uma busca revela o dinheiro no seu bolso. Contudo, antes da polícia ser chamada, Lebezyatnikov, que estava observando a cena, declara que Luzhin tinha plantado o dinheiro em Sonya sem que ela percebesse. Rodya explica os possíveis motivos de Luzhin, que escapa antes de sofrer as conseqüências da fúria dos convidados. O almoço se transforma num pandemônio: Sonya corre histericamente para casa, a senhoria expulsa os Marmeladovs e Katerina Ivanovna sai em busca de justiça.

Rodya vai para a casa de Sonya e confessa seu crime para ela. Ela não acredita no que ele está dizendo e fica horrorizada; mas por fim ela ouve suas explicações e percebe o seu sofrimento. Sonya diz que ele precisa confessar seu crime publicamente. Ele resiste a essa idéia, embora ele saiba que eventualmente ele acabará sendo preso.

Lebezyatnikov chega e conta que Katerina Ivanovna enlouqueceu e está fazendo seus filhos cantarem na rua para pedir dinheiro. Sonya sai às pressas e Rodya vai para casa. Dunya chega inesperadamente. Ela fala que Razumikhin tinha dito a ela que Rodya estava sob suspeita de assassinato, e ela declara que está do seu lado se ele precisar. Depois que ela vai embora, ele sai novamente e encontra Lebezyatnikov, que o leva até o local onde estão Katerina Ivanovna e suas crianças.

Katerina Ivanovna está quase louca e suas crianças estão apavoradas. Ela se recusa a voltar para o apartamento. As crianças tentam fugir, e ela entra em colapso ao persegui-las. Nos estágios finais da sua agonia, ela é levada para o apartamento de Sonya, onde ela morre.

Svidrigailov diz a Rodya que ele irá tomar conta das crianças, e então faz algumas citações que mostram a Rodya que ele tinha ouvido a confissão que ele tinha feito a Sonya. Aterrorizado, Rodya entra numa fase de alienação, vagando pelos lugares sem descanso. Um dia, Razumikhin vem até sua casa para expressar sua indignação pelo tratamento que Rodya está dando à sua família. Quando ele sai, Rodya encarrega Razumikhin de cuidar das senhoras, e chega até a mencionar que Dunya talvez já o ame. Razumikhin sai, emocionado, mas volta um instante para contar que Porfiry o tinha avisado que o pintor Nikolai tinha confessado os assassinatos.

Rodya, aliviado por esta notícia inesperada, está prestes a sair para procurar Svidrigailov quando Porfiry chega. Eles se sentam para conversar. Porfiry diz a Rodya que sabe que ele é o culpado, e que ele deveria se entregar. Ele pede que Rodya não abandone a vida, pois ele tem a vida inteira diante dele. Depois de avisá-lo que irá prendê-lo provavelmente em dois dias, Porfiry sai e deseja boa sorte a Rodya.

Rodya sai em busca de Svidrigailov, e o encontra numa taverna. Indo direto ao ponto, Rodya diz que ele irá matar Svidrigailov se ele pretende chantagear Dunya com o seu segredo. Um tanto embriagado, Svidrigailov fala sobre Marfa Petrovna e sua tentativa de seduzir Dunya. Ele também fala sobre sua nova noiva de apenas dezesseis anos. Enojado, Rodya vai embora. Pouco depois, Svidrigailov também sai. Ele é seguido por Rodya durante algum tempo, até que ele se certifica que Svidrigailov não está indo encontrar Dunya naquele dia e o deixa sozinho.

Pouco depois, Dunya realmente se encontra com Svidrigailov, que tinha mandado uma carta para ela, mencionando o segredo de Rodya e prometendo apresentar provas. Ele a conduz para seu apartamento, sob a alegação de mostrar as provas, mas na realidade para chantageá-la. Tarde demais, ele percebe que está trancada no quarto com ele. No entanto, ela tinha trazido uma arma e ameaça atirar se ele se aproximar dela. No final, ela deixa a arma de lado e ele, comovido pelo seu gesto, abandona suas ameaças. Quando ela afirma que jamais poderá amá-lo, ele destranca a porta e manda que ela saia rapidamente. Após sua saída, ele coloca seus negócios em ordem e passa o resto do dia vagando sem rumo. Por fim, na manhã seguinte ele se suicida com um tiro.

Naquele mesmo dia, Rodya vai ver sua mãe pela última vez antes de se entregar. Depois da sua visita, ele se apressa em voltar para casa, onde ele encontra Dunya à sua espera. Ele se despede dela e vai até a casa de Sonya. Ela dá a ele uma cruz. Ele sai de forma brusca, sem nem mesmo dizer adeus para ela, impaciente em terminar com isto. Rodya continua a não entender porque ele deveria ir, pois na verdade ele ainda não acha que seu ato foi algo condenável.

Ele vai até a delegacia, seguido por Sonya. Ele descobre que Svidrigailov, está morto; surpreso, ele se retira sem confessar. No entanto, Sonya está esperando por ele, e finalmente Rodya sobe as escadas e confessa seu crime.

Rodya é exilado para a Sibéria e Sonya o segue até lá. Dunya casa-se com Razumikhin. Pulcheria Alexandrovna morre. Sonya escreve para os Razumikhins sobre Rodya, contando que ele não é sociável e é detestado pelos colegas de prisão. Rodya adoece. Quando ele se recupera, Sonya está doente, e ele sente muita falta dela. Quando Sonya fica curada, ela vai vê-lo, e ele por fim se arrepende de verdade, caindo aos seus pés e chorando. Tendo finalmente reconhecido seu pecado, ele se sente ressuscitado para amar Sonya e passar sua vida com ela.

Última atualização: 23/07/2009, 21:30
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