Casa de Bonecas


Henrik Ibsen


Nora Helmer sempre levara uma vida de conforto doméstico, governada todo o tempo pelo seu pai e depois pelo seu marido. Tempos atrás, Nora tinha pegado dinheiro emprestado de um homem de má reputação chamado Krogstad forjando a assinatura do seu pai numa nota promissória. Desta forma, ela tinha conseguido pagar uma viagem à Itália para salvar a vida de Torvald, seu marido, que estava seriamente doente. Torvald nada sabia sobre seu estado de saúde nem sobre a origem do dinheiro, que ele acreditava ter sido dado pelo pai de Nora. Desde essa época, ela teve que planejar formas de pagar seu empréstimo, ficando cada vez mais preocupada sobre dinheiro.

Quando a peça começa, é véspera de Natal e Torvald acaba de ser promovido a gerente do banco, o que fará com que ele receba um grande aumento de salário. Nora fica excitada porque acha que finalmente será capaz de pagar sua dívida. No entanto, sua felicidade logo acaba quando Krogstad chega para uma conversa. Ele está furioso, pois acaba se saber que seu cargo no banco de Torvald foi prometido para a sra. Linde, uma velha amiga de escola de Nora, que tinha chegado há pouco tempo na cidade em busca de emprego. Krogstad diz a Nora que ele contará seu segredo a Torvald se ela não convencer seu marido a deixá-lo no seu cargo. Nora tenta convencer Torvald usando todos os truques femininos que ele encoraja, mas sem sucesso. Torvald afirma que a natureza moralmente corrupta de Krogstad é repulsiva e é impossível trabalhar com ele. Nora fica muito preocupada.

No dia seguinte, Nora está andando nervosamente pela casa, temendo que Krogstad apareça a qualquer momento. Por sorte, ela também tem que se ocupar com a preparação de um grande vestido de baile que ela irá usar na noite seguinte, o que a distrai um pouco. Ela conversa com a preocupada sra. Linde, que a ajuda a reparar seu vestido. Quando Torvald volta do banco, para onde ele tinha ido resolver alguns problemas, ela novamente tenta interceder em favor de Krogstad. Desta vez, Torvald não apenas recusa como também envia a carta de demissão que ele já tinha preparado para Krogstad. Ele garante à assustada Nora que assumirá a responsabilidade por quaisquer conseqüências desagradáveis que possam acontecer a eles. Nora fica extremamente comovida por este comentário e começa a considerar a possibilidade deste episódio transformar para melhor seu casamento. Ela também pensa sobre a possibilidade de suicídio.

Enquanto isso, ela conversa e flerta com o charmoso Dr. Rank. Ela descobre que ele irá morrer em breve e a conversa se torna mais íntima. Quando Nora está prestes a pedir que ele a ajude com seu problema, ele declara que a ama. Suas palavras a detém e Nora muda o assunto para temas mais seguros. A conversa é interrompida pelo anúncio da chegada de Krogstad. Nora pede que o Dr. Rank se retire e faz com que Krogstad entre.

Krogstad diz que mudou de idéia e não irá mais denunciá-la publicamente, apesar de continuar a manter a promissória em seu poder. Ao invés disso, ele quer dar uma carta a Torvald explicando o assunto, pressionando-o para ajudar Krogstad a se reabilitar. Nora protesta sobre a idéia de envolver Torvald. Para seu horror, Krogstad coloca a carta na caixa de correio de Torvald assim mesmo. Nora exclama em voz alta que ela e Torvald estão perdidos. Entretanto, ela ainda tenta usar seu charme para impedir que Torvald leia a carta, distraindo-o dos negócios ao pedir que ele a ajude a praticar a dança para o baile da noite seguinte. Ele concorda em deixar os negócios de lado até o final do baile.

Na noite seguinte, antes que Torvald e Nora voltem do baile, a sra. Linde e Krogstad, antigos amantes, se reúnem na sala de estar dos Helmer. A sra. Linde pede para tomar conta de Krogstad e suas crianças, e também pede para deixá-la ajudá-lo a se tornar um homem melhor. Krogstad sai, seguido pouco depois pela sra. Linde, que cruza com o casal chegando do baile. Torvald está praticamente arrastando Nora pelo braço.

Ao ficarem sozinhos, Torvald diz a Nora o quanto ele a deseja, mas é interrompido pela chegada do Dr. Rank. Sem que Torvald saiba, ele veio fazer suas últimas despedidas, como explica reservadamente para Nora. Depois que ele sai, Nora consegue impedir as investidas de Torvald contando o segredo do Dr. Rank e lembrando a feiúra da Morte, que acaba de estar entre eles. Nora percebe que Torvald tinha pego suas cartas e se resigna a cometer suicídio.

Quando ela está se retirando, entretanto, Torvald a detém. Ele tinha acabado de ler a carta de Krogstad e fica furioso com o que ela diz. Torvald acusa Nora de arruinar sua vida, e dá a entender claramente que pretende denunciá-la, desmentindo sua afirmação anterior que seria responsável por tudo. Enquanto discursa irritado, Torvald é interrompido pela chegada da criada, que traz outra carta de Krogstad, endereçada a Nora. Torvald a lê e fica eufórico: Krogstad tinha mudado de idéia novamente e estava devolvendo a promissória. Rapidamente, Torvald diz a Nora que está tudo terminado, que ele a perdoa e que a patética tentativa de Nora em ajudá-lo somente a fez mais adorável do que antes.

Vendo a verdadeira personalidade de Torvald pela primeira vez, Nora faz seu marido se sentar e diz que irá deixá-lo. Depois dos protestos de Torvald, ela explica que ele não a ama e que, depois desta noite, ela não o ama. Nora também diz que ela deve a si mesma se tornar totalmente independente e explorar sua personalidade e o mundo por conta própria. Enquanto sai, Nora diz a Torvald que ela achava que os dois seriam capazes de se unir num verdadeiro matrimônio mas que ela agora tinha perdido toda a esperança disso. A peça termina com a porta batendo após a saída de Nora.

Última atualização: 26/07/2009, 21:45
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