Ben-Hur
Lew Wallace
A história se passa na Judéia, no tempo de Jesus. Ela começa com uma narrativa do nascimento humilde de Jesus, a adoração do bebê por três magos do Oriente, e a fuga da criança das mãos do rei Herodes.
Vários anos depois do nascimento de Jesus, Judá Ben-Hur estava um dia nas ruas falando com seu companheiro de infância, Messala. Messala tinha crescido na Judéia, mas cinco anos antes tinha partido para estudar em Roma. Ele tinha mudado muito naqueles anos, e desde que seu retorno Judá tinha achado difícil falar com ele. Um muro tinha se erguido entre eles. Agora, enquanto Messala se vangloriava, Judá ficava mais e mais irritado com a nova arrogância do seu amigo. Finalmente, ele explodiu, declarando estar convencido que nunca mais poderiam ser os amigos que tinham sido antes. Assim se separaram.
Sozinho no seu quarto, Judá meditou. Embora as atitudes de Messala fossem indesculpáveis, havia alguma justificativa para seu orgulho. Pelo menos Messala agora tinha uma profissão militar; Judá não tinha nada. Depois de muito pensar, Judá concluiu que ele mesmo tinha que ir para Roma, aprender as artes da guerra, e retornar para expulsar os romanos da sua terra. Ele contaria seus planos apenas para Tirzá, sua irmã.
Dias mais tarde, Judá e Tirzá subiram ao seu telhado para ver a passagem do novo e muito odiado Procurador da Judéia, Valerius Gratus, a caminho da cidade. Os judeus se alinhavam ao longo da estrada para vociferar insultos para Gratus. Quando Judá se inclinou para olhar melhor o Procurador, sua mão acidentalmente deslocou uma telha solta, e ele se projetou para frente, tentando apanhá-la. Isto fez com que parecesse que Judá tinha arremessado a telha como um míssil - que acertou em cheio seu alvo. Gratus tombou do assento como se estivesse morto. Em segundos, soldados romanos forçaram seu caminho pela casa e derrubaram o jovem no chão. Então Judá ouviu uma voz familiar: "É ele mesmo!" Messala, vestido como um oficial da legião, fingiu não reconhecer Judá. "Vocês o têm," ele zombou. "E esta é sua mãe; mais além está sua irmã. Vocês têm sua família inteira." Judá observou enquanto os romanos levavam embora sua mãe e sua irmã e confiscavam sua propriedade.
Enquanto os soldados prosseguiam na direção da cidade costeira de Nazaré, as pessoas se indagavam sobre seu jovem e semidespido prisioneiro. Quando os romanos finalmente fizeram uma pausa no poço da cidade, o prisioneiro tombou na poeira da estada. Um homem jovem se adiantou para oferecer uma bebida ao prisioneiro. Quando o estranho pousou a mão sobre o ombro de Judá, ele olhou para cima - para um rosto que ele jamais esqueceu. Seu espírito vingativo se dissolveu sob o olhar do estanho e ele voltou a se sentir como uma criança. Assim, pela primeira vez, Judá e o filho de Maria se encontraram e se separaram.
Três anos depois, Judá era um remador numa galera romana comandada pelo respeitável e habilidoso Arrius, que estava comandando uma frota para expulsar os piratas do Mediterrâneo. Como apreciador do físico dos homens, Arrius gostava de descer abaixo do convés para observar os remadores. Nesta viagem, ele ficou profundamente impressionado por um jovem entre os escravos exaustos e emaciados. O jovem era alto e tinha os membros muito bem proporcionados. Além disso, ele remava com vigor e uma certa harmonia. Quando Arrius perguntou a ele sobre seu passado, Judá revelou que ele era o filho de um príncipe e mercador de Jerusalém, da casa de Hur. Arrius não podia conceber que tal jovem pudesse tentar assassinar um oficial romano.
Pouco depois os navios romanos localizaram os barcos piratas e a batalha começou. Ben-Hur podia ouvir o clamor no convés acima e podia cheirar a fumaça das flechas incendiárias e o fedor de carne humana queimada. Os piratas tinham abordado a galera destroçada e a água estava invadindo o porão. Depois de finalmente se livrar das correntes, Ben-Hur conseguiu se jogar para o mar. Enquanto ele nadava desesperadamente para longe do torvelinho de morte e destruição, ele ajudou um romano que estava se afogando - Arrius.
Enquanto os dois homens - o judeu escravo e seu mestre romano - aguardavam socorro, Arrius prometeu a Judá que, se eles escapassem vivos, ele faria todos os favores possíveis a um romano poderoso para demonstrar sua gratidão. E, de fato, após serem resgatados por um navio romano e levados para terra firme, Arrius adotou Ben-Hur como seu próprio filho.
Dois anos depois, Ben-Hur voltou à Judéia em busca de sua mãe e de sua irmã. Treinado nas artes do combate, ele agora parecia tão forte e feroz quanto qualquer guerreiro romano. Ele começou sua busca procurando por Simonides, que tinha sido um servo do seu pai. Mas os novos trajes e maneiras romanas de Ben-Hur despertaram as suspeitas de Simonides, e ele pouco disse. No entanto, quando Ben-Hur partiu, Simonides ordenou que seu servo Malluch o seguisse e julgasse suas intenções.
Ben-Hur foi até um grande coliseu. Lá ele observou os condutores de bigas se preparando para uma competição. Ele prestou especial atenção a um árabe que reclamava de um condutor romano por estar chicoteando seus cavalos. Então, enquanto as bigas se alinhavam para a corrida, Judá olhou mais detidamente aquele condutor romano, agora ovacionado pela multidão. Perplexo, ele reconheceu Messala!
Depois da corrida, vencida por Messala, o servo Malluch se aproximou de Ben-Hur. Enquanto eles caminhavam juntos, Ben-Hur interrogou Malluch sobre as corridas de bigas. Durante a conversa, ele confiantemente revelou seu plano de vingança contra Messala, bem como a busca pela sua família. Malluch então retornou para informar Simonides.
Ao saber que o xeque árabe, Ilderim, estava interessado em contratar outro condutor, Ben-Hur ofereceu seus serviços. Ele provou ser tão bem treinado na condução de cavalos que Ilderim dissipou quaisquer dúvidas que ele possa ter tido.
O dia da corrida finalmente chegou. Ben-Hur olhou seu cruel oponente, decidido a humilhar aquele orgulhoso romano a qualquer custo. O clarim soou e as bigas se alinharam atrás das posições de partida. Ben-Hur ficou lado a lado com Messala quando eles completaram a primeira volta, mas, de repente, Messala olhou selvagemente para Ben-Hur e chicoteou os cavalos de Ilderim, algo que eles jamais haviam experimentado. Ben-Hur perdeu terreno mas logo o recuperou. Messala e Ben-Hur correram juntos na liderança durante as primeiras seis voltas. Então, na volta final, Ben-Hur, que estava poucos centímetros atrás, girou ligeiramente sua biga para a esquerda, prendendo seu eixo na roda de Messala. A roda quebrou e a biga de Messala espatifou-se no chão, arremessando-o de cabeça no solo, bem no caminho das outras bigas que vinham atrás deles. Ben-Hur foi declarado o vencedor.
Surpreendentemente, Messala sobreviveu, mas ele jamais caminharia novamente. Pouco depois, ele contratou dois brutamontes para assassinar Ben-Hur, mas o judeu conseguiu escapar e prosseguiu na sua busca por sua mãe e Tirzá.
Nessa época, o novo Procurador da Judéia, Pontius Pilatos, ordenou uma revisão de todas as sentenças dos prisioneiros. Tirzá e a mãe de Ben-Hur foram retiradas das profundezas de uma cela subterrânea e libertadas. Ambas estavam leprosas e quase mortas de fome. Quando elas se aproximaram de sua casa, a mãe viu alguém adormecido na soleira da porta. Espantada, ela reconheceu seu filho. Tirzá correu para beijar seu irmão, mas a mãe a conteve: elas agora eram párias, impuras. Era melhor que Judá se lembrasse delas como eram antigamente. Elas partiram e deixaram a cidade, passando a viver numa colônia de leprosos.
No dia seguinte, Ben-Hur e outros zelotes judeus procuraram Pilatos para protestar sobre um recente aumento de impostos. Quando o protesto ficou violento, os centuriões romanos atacaram a multidão com porretes. Ameaçado por um soldado, Ben-Hur foi forçado a combater. Seu único golpe de espada foi preciso e o romano tombou no chão.
Ben-Hur tornou-se um herói na cidade. Acreditando que sua família estava morta, ele voltou-se para outro objetivo: a eliminação de todos os romanos da Judéia. Estimulado pela insistência de Simonides que um "redentor" em breve viria liderar os judeus à vitória contra seus opressores, ele secretamente recrutou e treinou três legiões de soldados judeus.
Certa noite, Ben-Hur recebeu uma carta de Malluch em Jerusalém. Ela informava da chegada na cidade de um "Rei", um Salvador, que era aquele que lideraria os judeus para sair da servidão. Ben-Hur ficou espantado; ele tinha que ir e descobrir por si mesmo se este homem era de fato o longamente aguardado "Rei dos Judeus."
Quando finalmente Ben-Hur encontrou este homem, o Nazareno não se parecia em nada com um rei; sua aparência calma e benigna fazia com que a própria idéia de guerra e conquista parecesse sem sentido. Ben-Hur o contemplou longamente. Subitamente, ele se lembrou do homem que o acudira nas muralhas de Nazaré tanto tempo atrás. Nesse momento, ele teve uma revelação - este era o Filho de Deus!
Neste mesmo dia, a mãe e a irmã de Ben-Hur estavam também procurando este profeta, de quem diziam que tinha o poder de curar os doentes. Em meio a uma multidão de admiradores e curiosos, elas finalmente conseguiram se aproximar dele. Tudo o que ele perguntou era se elas acreditavam. Elas disseram que ele era o Messias, de quem os profetas falaram. Cristo inclinou-se para elas e disse que sua fé era tão grande que elas estavam curadas. Imediatamente, as mulheres sentiram a doença sair de seus corpos e suas forças retornarem. Pouco depois, elas se reencontraram com Ben-Hur e sua noiva Ester, filha de Simonides. Eles foram reunidos pelo amor que compartilhavam entre si - e pelo Cristo.