Última atualização:

20/07/2009, 20:45


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Ana Karenina

Leon Tolstói


No início da história, o príncipe Stepan Oblonsky, conhecido como Stiva, está discutindo com sua esposa, Dolly. Ele tinha um caso amoroso com a governanta dos seus filhos, e ela estava ameaçando deixá-lo. Ele está contente que sua irmã, Ana Karenina, chegará no dia seguinte para visitá-los e ajudar a acalmar as coisas entre ele e Dolly. Ana é casada com um destacado oficial em São Petersburgo, e circula nos mais altos círculos da sociedade russa com a reputação de ser uma mulher charmosa.

No mesmo dia, Oblonsky encontra seu amigo Constantine Levin, que acaba de chegar de sua propriedade rural. Levin está na cidade para ver a cunhada de Oblonsky, Kitty Shcherbatskaya, pois Levin está um tanto apaixonado pela jovem de dezoito anos. Oblonsky sugere um encontro com Levin mais tarde naquela noite no parque, onde Kitty costuma patinar no gelo.

Levin vai ao parque. Ele patina com Kitty e flerta intensamente com ela, mas ela demonstra sinais contraditórios. Durante o jantar com Oblonsky naquela noite, Levin descobre que tem um rival no amor de Kitty: o conde Alexis Kirilovich Vronsky. E, de fato, quando Levin se declara a Kitty, ela o rejeita, esperando que Vronsky faça sua proposta em breve.

Quando Oblonsky vai à estação de trem para encontrar Ana na manhã seguinte, ele encontra Vronsky, que está esperando por sua mãe para pegar o mesmo trem. Eles descobrem que Ana e a mãe de Vronsky viajaram na mesma cabine, e sua mãe gostou muito de Ana. Assim, Vronsky tornou-se fascinado pelo espírito e vitalidade de Ana. Antes que eles deixem a estação, um guarda ferroviário é atropelado e morto por um trem que estava passando. Diante dos apelos de Ana, Vronsky deixa 200 rublos para a viúva do guarda.

Ana habilmente convence Dolly a não deixar Oblonsky. No baile da noite seguinte, Kitty nota que Vronsky está distraído e desatento a ela. A fonte da sua distração fica clara quando ela observa Vronsky dançando uma valsa com Ana. Os dois estão completamente apaixonados, e o coração de Kitty fica despedaçado. Ela percebe que suas esperanças estão acabadas; Vronsky nunca quis se casar com ela.

Levin parte para ver Nicolai, seu irmão mais velho, que está doente e vive em condições depravadas. Desgostoso com toda a viagem, Levin deixa Moscou. Ana parte no mesmo dia que Levin, no trem para São Petersburgo. Durante uma breve parada, Vronsky surge na plataforma e diz a ela que ele está apaixonado e a seguirá até São Petersburgo. Ana afirma que isso é impossível e tenta retomar sua vida, mas ela está constantemente aborrecida com tudo.

A desilusão amorosa de Kitty Shcherbatskaya acaba se manifestando em sintomas físicos. Sua família decide mandá-la para uma estação de águas na Alemanha para que ela recupere sua saúde.

Na sua volta para São Petersburgo, Ana começa a circular mais frequentemente nos ambientes onde está certa de encontrar Vronsky. Ana diz para si mesma que ela simplesmente gosta da sua atenção, mas logo admite para si mesma que os sentimentos dele constituem a inteira paixão da sua presente existência. O comportamento de ambos rapidamente atinge o reino do Socialmente Inaceitável. Karenin é um homem extremamente preocupado com as aparências, e por essa razão ele confronta Ana. Ela desdenha sua preocupação, e o casal prontamente se afasta um do outro. Vronsky e Ana consumam seu amor e Ana diz, "Tudo está acabado. Agora nada mais tenho além você. Lembre-se disso."

Enquanto isso, Levin prepara sua fazenda para a chegada da primavera. Ao contrário de muitos proprietários, Levin aprecia o trabalho duro no campo. Oblonsky chega para visitar sua propriedade e vender uma de suas florestas a um negociante local chamado Ryabinin com um sério prejuízo. Antes que ele parta, Oblonsky conta a Levin que Kitty está doente e que Vronsky deixou Moscou em busca de Ana.

Em São Petersburgo, o caso de Vronsky e Ana torna-se rapidamente conhecido. A sociedade local está aguardando ansiosamente pela derrocada de Ana, e a família de Vronsky está ficando preocupada que este romance esteja distraindo-o de progredir na sua carreira. No meio de tudo isso, Vronsky está se preparando para participar de uma corrida de cavalos. Pouco antes da corrida, Vronsky visita Ana. Ela diz a ele que está grávida. Vronsky então se apressa para a corrida. Ana e seu marido comparecem à corrida, mas se sentam em lugares afastados. O cavalo de Vronsky cai e quebra a espinha, mas ele nada sofre.

Na corrida, Karenin observa como Ana reage fisicamente quando Vronsky cai. Ele a confronta sobre seu caso, dessa vez com mais intensidade. Ana confessa seus sentimentos por Vronsky e diz que odeia Karenin. Karenin exige que ela observe "condições externas de propriedade" até que ele possa se proteger, presumivelmente através de um divórcio.

Na estação de águas na Alemanha, Kitty conhece Varenka, uma jovem e piedosa mulher. Kitty tenta imitar seu senso de profunda espiritualidade e ser caridosa como a jovem. Ela não consegue atingir o mesmo tipo de compreensão com os menos afortunados que Varenka tem, mas passa a se conhecer um pouco melhor quando ela deixa a estação de águas. Enquanto isso, Dolly e as crianças mudam-se para sua propriedade no campo para economizar dinheiro enquanto Oblonsky está em São Petersburgo. Levin os visita, e Dolly sugere que ele proponha casamento a Kitty novamente. A sugestão embaraça Levin. Mas quando ele revê Kitty alguns dias mais tarde, ele percebe que ainda a ama.

Karenin decide que a única opção é forçar Ana a romper relações com Vronsky e ficar com ele. Ao menos exteriormente, isto preservará o status quo. Na mesma manhã, Vronsky recebe uma visita do seu amigo Serpukhovskoy, que oferece a ele a chance de dar um salto em sua carreira deixando o regimento. Vronsky recusa porque isso o afastaria de Ana.

Levin tenta evitar pensar em Kitty, que está vivendo com Dolly a menos de trinta quilômetros dali. Ele desenvolve uma "teoria" econômica de trabalho que envolve trabalho cooperativo e propriedade da terra. Ele tenta implementar a teoria na sua fazenda, mas os camponeses respondem com muito menos entusiasmo que Levin. No final de setembro, Levin recebe uma visita surpresa do seu irmão tuberculoso Nicolai. Nicolai está abatido e obviamente muito doente; sua morte é iminente. Depois que Nicolai parte, Levin afunda em melancolia. Ele começa a ver morte por toda a parte e fica deprimido sobre sua própria alma.

Os Karenins estão vivendo juntos em um estado de tensão. Ana continua a ver Vronsky fora da casa. Uma noite, os dois homens se encontram quando Vronsky está se apressando para ver Ana. Esta é a primeira noite em que Vronsky nota que os acessos de ciúme de Ana a tornam menos atraente para ele. Ana conta a ele sobre um pesadelo que teve envolvendo um velho camponês imundo. Vronsky teve o mesmo pesadelo e fica horrorizado. Karenin enfrenta Ana novamente. Diante da sua resolução implacável, ele diz que pretende começar o processo de divórcio.

Durante um jantar na casa dos Oblonskys, Levin e Kitty se reencontram e descobrem um novo interesse mútuo. Kitty dá a perceber que ela iria aceitar se Levin propusesse casamento novamente. Ele o faz, e eles começam a planejar seu casamento.

Ana fica perto da morte depois de dar à luz a filha de Vronsky. Vronsky está em outra sala, chorando. Ver Ana naquele estado de agitação incita Karenin ao perdão. Chorando abertamente, ele perdoa tanto a ela quanto a Vronsky em um estado de grande alegria e felicidade. Karenin envergonha Vronsky dizendo que, não importa quanto os dois o tenham humilhado, Karenin não deixará Ana. Devastado pela nobreza de Karenin, Vronsky vai para casa e tenta o suicídio, atirando em si mesmo com um revólver. A bala erra seu coração, e ele se recupera com a ajuda da sua cunhada. Enquanto se recupera, Ana permanece deslumbrada pelos generosos sentimentos do seu marido, mas ela ainda se sente asfixiada. Oblonsky, sentindo a tortura da situação, visita Karenin e o encoraja a iniciar o processo de divórcio novamente. Em um momento de emoção, Karenin concorda. Ao saber dessa notícia, Vronsky imediatamente abandona seus deveres militares e corre à casa dos Karenins. Mas embora Ana esteja exultante em vê-lo, ela não aceitará a oferta de divórcio de Karenin.

Levin e Kitty têm um maravilhoso casamento a despeito da preocupação de Levin com seu agnosticismo. As conversas de outros convidados sobre os casamentos fracassados que eles vivem ou conhecem dão uma nota sombria à cerimônia.

Ana e Vronsky deixam a Rússia e viajam pela Itália. Vronsky ganha um novo interesse em pintura e começa um retrato de Ana. Ele abandona este interesse quando ele encontra um pintor famoso chamado Mikhailov. A superior dedicação de Mikhailov à arte, juntamente com seu magistral retrato de Ana, reduzem grandemente a confiança de Vronsky. Eles decidem retornar à Rússia.

Levin está desiludido, pois seu casamento parece consistir em pequenas brigas que ele outrora tinha considerado risíveis em outros casais. As coisas não correm bem até que Levin recebe a notícia que seu irmão, Nicolai, está à beira da morte em Moscou. Kitty vai com eles e cuida do moribundo com grande cuidado e ternura. Levin ganha uma nova admiração por ela. Kitty anuncia sua gravidez pouco depois da morte de Nicolai.

Karenin sofre sob as humilhações da opinião pública e uma carreira estagnada. Sua única amiga é a Condessa Lydia Ivanovna, que o encoraja a juntar-se a ela em sua variedade de Cristianismo emocional. Quando retornam a São Petersburgo, Ana e Vronsky são recebidos com a infeliz notícia de que foram colocados à margem da alta sociedade, especialmente Ana. Mesmo assim, Ana testa isso comparecendo à opera. Ana cria uma cena e é insultada por membros da sociedade. Ana culpa Vronsky pela perda da sua posição social, obrigando-o a fazer constantes garantias do seu amor. Eles se mudam para sua propriedade no campo.

Muitas pessoas visitam os Levins na sua propriedade naquele verão. Varenka e Koznyshev têm um breve romance que termina quando Koznyshev se mostra muito tímido para propor casamento. Oblonsky chega com Vasenka Veslovsky, um jovem e belo playboy, que se apressa em flertar de forma inapropriada com Kitty. Levin, que já se sente inseguro sobre seu relacionamento com Kitty, teme um adultério e expulsa Veslovsky.

Um dia, Dolly vai visitar Ana na propriedade de Vronsky. Embora no início ela fique impressionada pelo luxo em que Ana e Vronsky vivem, e pela vitalidade de Ana, ela em breve se sente desconfortável. Eles têm que conviver com pessoas de classes inferiores e estão rodeados de parasitas. Além disso, Ana está em declínio: ela se recusa a aceitar a oferta de divórcio de Karenin, pouco cuida da sua filha, toma morfina para dormir, e usa controles de gravidez por temer que Vronsky perca o interesse nela se engravidar novamente.

Ana está cada vez mais paranóica e dependente de Vronsky. Quando ele comparece às eleições em Moscou e fica um dia a mais que o planejado, ela o engana para que ele retorne. Vronsky sente-se cada vez mais sufocado por suas demandas. No fim, ela concorda em escrever a Karenin pedindo o divórcio e o casal se muda para Moscou.

Os Levins também estão em Moscou, esperando pelo nascimento do seu primeiro filho. Levin sente-se desconfortável na cidade, mas faz o melhor que pode. Sob influência de Oblonsky, Levin não só faz as pazes com Vronsky mas também concorda em visitar Ana, a quem ele nunca tinha encontrado. Levin fica completamente fascinado por Ana. Quando ele retorna para casa, Kitty fica furiosa por ele ter ido ver Ana e poder ver a mudança nele. Ele fica acordado até tarde confortando Kitty e garantindo a ela o seu amor. Enquanto isso, o fascínio de Ana sobre Vronsky está desmoronando; eles frequentemente trocam hostilidades. Ela não teve notícias de Karenin sobre seu pedido de divórcio, e isto faz suas relações serem ainda mais tensas. Esta noite, Kitty entra em trabalho de parto. O nascimento leva 22 horas e Levin reza pela primeira vez em anos. Quando seu filho nasce, Levin experimenta um sentimento de profunda alegria e felicidade.

Oblonsky visita Karenin para pressioná-lo sobre o divórcio de Ana. Karenin reage com grande emoção e afirma que seu Cristianismo não o permitirá fazer tal coisa. Enquanto isso, as relações entre Ana e Vronsky continuam a azedar. Ana torna-se mais ciumenta, e Vronsky torna-se mais frio e distante. Vronsky passa mais tempo fora de casa, e sua mãe o encoraja a casar com a jovem Princesa Sorokin. Eles brigam naquela noite e novamente na manhã seguinte; Vronsky a deixa desgostoso. Ana toma uma dose de morfina e escreve um bilhete para Vronsky implorando seu perdão e pedindo para que ele retorne de uma vez. Então, em desespero, ela vai visitar Dolly.

Os próximos capítulos tratam principalmente dos pensamentos de Ana. Ela vai ver Dolly, mas Kitty está lá. As duas irmãs reagem a Ana de forma pouco delicada, e elas têm pouco sobre o que conversar. Ela parte e retorna para casa, onde acha tudo e todos repulsivos. Desesperada para ver Vronsky, ela parte para a estação de trem de Nizhni. No caminho da estação, Ana está em um terrível estado mental. Para ela, tudo é desprezível e o mundo está cheio de feiúra, miséria e ódio. Esmagada, ela sai do trem depois de uma parada. Ela encontra o cocheiro de Vronsky, que entrega um bilhete frio da parte do seu patrão. Sentindo-se miserável, ela vaga pela plataforma. Subitamente, ela se lembra do funcionário que morreu no primeiro dia em que ela encontrou Vronsky, e decide o que deve fazer. Ela desce até os trilhos e espera pelo trem que se aproxima. Ela morre pedindo perdão a Deus, e sua última visão é a do camponês do seu sonho.

Dois anos mais tarde, há um grande movimento de simpatia russa pelos povos eslavos governados pelos sérvios. Quando Koznyshev, o meio irmão de Levin, vai à estação de trem para seguir para a fazenda de Levin, há vários grupos de homens que estão seguindo como voluntários para combater com os eslavos. Um desses voluntários é Vronsky. O movimento voluntário é a única esperança de Vronsky; ele tem sido um farrapo desde a morte de Ana. A luta deu a ele alguma coisa para se interessar. Alexis Karenin tomou a filha de Vronsky, e ele é incapaz de pegá-la de volta. Vronsky envelheceu muito e age como se estivesse em uma prisão mental.

O lar dos Levins é um exemplo de trabalho útil e felicidade doméstica. Levin é torturado por dúvidas religiosas e lutas espirituais, e estes assuntos o estão perturbando tanto que mesmo Kitty começou a se perguntar o que está se passando na cabeça do seu marido. Nas suas palavras, a questão básica de Levin é: "Se eu não aceito as respostas dadas pelo Cristianismo às perguntas da minha vida, que respostas eu aceito?" Ele medita sobre seu momento de oração durante o trabalho de parto de Kitty e constantemente questiona e se tortura sobre suas dúvidas. Às vezes isso se torna tão forte que ele deseja se matar. Ele tenta se distrair com sua família e o trabalho na fazenda, com relativo sucesso.

Ele experimenta uma epifania em uma conversa com um camponês chamado Teodoro. Ele percebe que já tem estado vivendo por Deus. Ao apreciar sua família e seus empregados, e dedicando-se ao bem-estar dos outros ao seu redor, ele está se comportando da maneira que Deus deseja que ele faça. Ele reforça esta crença quando uma tremenda tempestade acontece e ele corre para procurar Kitty e o bebê nos bosques. Enquanto busca por eles, um raio atinge uma árvore na sua frente. A árvore é queimada e tomba aos seus pés. Quando ele os encontra ilesos um momento mais tarde, ele é dominado pelo alívio. A experiência renova sua crença em Deus. Mais tarde naquela noite, Levin reflete uma vez mais sobre a natureza das suas questões, e decide que sua crença em Deus pertence somente a ele, e que não tem o direito de fazer comentários sobre os relacionamentos das outras pessoas com o Senhor. Kitty chega e pergunta sobre o que ele está pensando, mas ele tem escrúpulos sobre falar com ela sobre isso. É um assunto pessoal, ele percebe, que pode não afetar sua vida exterior mas que fará toda a diferença na sua paz interior.