Última atualização:

12/06/2009, 20:00


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1984

George Orwell


Parte 1

Winston Smith vive em Londres, principal cidade da Pista Um (antigamente conhecida como Inglaterra), no super-estado da Oceania. Ele acha que este é o ano de 1984.

Oceania é um estado totalitário dominado pelos princípios do IngSoc (Socialismo Inglês) e governado por uma organização sombria conhecida simplesmente como "O Partido". Oceania e os dois outros super-estados mundiais, Eurásia e Lestásia, estão envolvidos numa guerra contínua sobre o domínio do restante do mundo, e constantemente trocam suas alianças. À medida que a história prossegue, torna-se claro que a guerra é em grande parte uma ilusão, mantida pelos três super-estados para seu benefício mútuo. Seu principal objetivo é manter poder absoluto sobre seus respectivos povos. A maioria das atividades militares é, na verdade, executada pelos governos contra seus próprios cidadãos.

A sociedade oceânica é hierárquica e oligárquica. Na base da pirâmide, onde fica a vasta maioria da população, estão os "proles" ou proletários, os trabalhadores que não têm educação formal. Eles são basicamente deixados à própria sorte pelo governo, exceto quando é necessário fomentar patriotismo de massa ou participação política. Acima dos proles está o Partido Externo, formado por membros menos privilegiados do Partido que passam o tempo fazendo funcionar suavemente as engrenagens da máquina do Partido. Estas pessoas são sistematicamente submetidas a lavagens cerebrais desde a infância, e são mantidas sob observação constante pelas onipresentes "teletelas" (que podem receber e transmitir impulsos visuais e auditivos simultaneamente) e pela sinistra Polícia do Pensamento. Acima do Partido Externo estão os membros do Partido Interno, que usufruem dos frutos do poder e da produção, e cujo único objetivo é perpetuar o poder do Partido. No ápice da pirâmide está o Grande Irmão, a encarnação do Partido, um "rosto" e uma persona glorificada que é mais fácil de amar do que uma organização coletiva abstrata.

Em um dia de abril, Winston deixa o Ministério da Verdade, onde ele trabalha no Departamento de Registros, para almoçar em casa, pois ele deseja escrever no seu diário. A simples posse de um diário é uma atividade comprometedora, e mantê-lo atualizado é ainda mais sério. No entanto, apesar dos seus temores, Winston sente uma necessidade desesperada de colocar alguma sanidade no seu mundo. No fundo, Winston é um rebelde, um herege que não aceita as doutrinas e crenças do Partido.

Após refletir sobre os eventos do dia, especialmente aquele que o motivara a começar o diário de hoje, Winston ouve batidas na porta. Ele estremece, achando que é a Polícia do Pensamento. Felizmente, é apenas a sra. Parsons, sua vizinha, pedindo sua ajuda para desentupir a pia da cozinha. Após ser atormentado por algum tempo pelos dois filhos da vizinha - dois monstrinhos já doutrinados pelo Partido e que certamente denunciarão seus pais algum dia - ele a ajuda e volta para seu apartamento.

O diário de Winston e seus sonhos e memórias são um testemunho da sua necessidade de se ancorar no passado, acreditando que isso era mais sensato do que o mundo no qual ele vive agora. A descrição dos seus sonhos e memórias mostra gradativamente os desenvolvimentos que tinham gerado a atual ordem mundial.

O trabalho de Winston no falsamente chamado Ministério da Verdade envolve a reescrita diária da História. Ele corrige "erros" e "enganos" em artigos passados de forma a fazer com que o Partido pareça infalível e sempre correto nas suas previsões, constantemente em guerra com o inimigo atual. No momento, o inimigo é a Eurásia e portanto, de acordo com o Partido, a Eurásia sempre foi o inimigo da Oceania, embora Winston saiba que isso não é verdade.

A despeito do seu horror pela destruição do passado pelo Partido, Winston aprecia sua atuação, pois usa bem sua imaginação para reescrever os discursos do Grande Irmão e itens semelhantes.

Através de inúmeros detalhes, torna-se visível que o padrão de vida na Oceania é quase intolerável. Para a maioria da população, os bens são escassos e tudo é feio e tem gosto horrível. Deprimido, Winston imagina se o passado foi melhor, se houve uma época quando as pessoas gostavam do casamento, achavam sexo agradável ou tinham bens suficientes. Ele relembra seu próprio casamento fracassado com Katharine, uma mulher frígida tão embebida da doutrina do Partido que, mesmo odiando sexo, insistia em praticá-lo uma vez por semana porque era o dever do casal com o Partido.

Winston sente que a única esperança reside nos proles, se eles despertarem um dia e notarem que não estão vivendo o tipo de vida que poderiam. Mas será que eles irão despertar?

Atormentado por memórias e em busca de respostas, Winston vagueia por uma área prole. Ele tenta conversar com um ancião sobre o passado, mas não parece chegar a lugar nenhum. Ele acaba parando na porta da loja onde tinha comprado o diário. Winston entra, começa a conversar com o proprietário, sr. Charrington, e perambula pelo meio das estranhas antiguidades empoeiradas. Ele compra um belo peso de papéis feito de vidro. O sr. Charrington conversa mais um pouco com ele e o leva para uma sala no andar superior, repleta de mobília antiga. Não há teletela na sala, o que espanta Winston, e o faz pensar em alugá-la como esconderijo, uma idéia que ele imediatamente considera como louca. No entanto, ele fica encantado e resolve voltar ali algum dia.

Depois de deixar a loja, ele fica surpreso ao ver uma garota de cabelos negros que trabalha no seu Ministério. Não há razão para ela estar naquela área, então ele deduz que ela o estava seguindo. Aterrorizado, ele se apressa em voltar para casa e tenta escrever no seu diário, mas não consegue.

Parte 2

Winston se encontra inesperadamente com a garota. Eles se cruzam num corredor. Ela tropeça e cai sobre seu braço machucado. Quando Winston a ajuda a se levantar, ela passa um bilhete para ele. Winston se surpreende, mas tenta não demonstrá-lo. Quando finalmente o lê, ele fica perplexo ao ver que ele diz: "Eu te amo".

Temendo uma armadilha, mas esquecendo todo o seu medo e seu ódio anteriores por ela, Winston tenta imaginar como eles poderiam se encontrar. Depois de alguns dias, eles finalmente conseguem trocar algumas palavras na cantina, e acertam se encontrar mais tarde naquela noite na Praça da Vitória (ex-Trafalgar Square). Ali, a garota discretamente dá a ele indicações para chegar a um local onde poderão se encontrar no domingo à tarde.

Chega o domingo e Winston e a garota, que se chama Julia, se encontram no campo. Ele fica surpreso e deliciado ao descobrir que ela detesta o Partido e se esforça para ser tão "corrupta" quanto possível. Eles passam um tempo agradável juntos e fazem amor.

Winston e Julia começam a se encontrar secretamente nas ruas para "falar em código", como Julia diz; encontros particulares são raros e difíceis de arranjar. Mesmo assim, eles conseguem fazê-lo novamente naquele mês. Eles falam o máximo que podem e passam a conhecer a personalidade e as histórias um do outro.

Finalmente, as pressões e os problemas para arranjar novos encontros os fazem dar o arriscado passo de alugar a sala do andar superior da loja do sr. Charrington. Nesta sala, eles começam a agir como se fossem um casal. Julia coloca maquiagem e planeja conseguir um vestido, para se sentir como uma mulher. Winston aprecia a sensação de privacidade e a novidade de ser capaz de ficar na cama com sua amada e falar tanto quanto quiser sobre qualquer coisa que desejar. À medida que passa o tempo, eles ficam mais próximos e falam sobre fugir juntos, embora saibam que isso é impossível.

Nesta época, O’Brien, um membro do Partido Interno pelo qual Winston sente uma espécie de ligação respeitosa, subitamente faz uma abertura e dá seu endereço a Winston. Isto parece ser um sinal. Winston e Julia vão juntos ao apartamento de O’Brien. Eles são induzidos a entrar na Irmandade, uma lendária organização anti-Partido fundada por Emmanuel Goldstein, um antigo membro do Partido. O’Brien dá a eles instruções e detalhes do que esperar e não esperar.

Chega a Semana do Ódio. Meses de preparação são descartados quando, no auge da Semana do Ódio, é divulgado que Oceania está em guerra com a Lestásia ao invés da Eurásia. O Ministério da Verdade é lançado num frenesi de atividade; Winston, Julia e seus colegas trabalham febrilmente por 90 horas consecutivas corrigindo antigos jornais, pois deve parecer que a Oceania sempre estivera em guerra com a Lestásia.

Winston recebera o livro, a bíblia da Irmandade escrita por Emmanuel Goldstein, mas não tivera tempo de lê-la até que seu trabalho no Ministério finalmente acaba. É dado o restante do dia de folga para todos os trabalhadores, e ele e Julia se encaminham separadamente para seu quarto secreto.

Ao chegar lá, Winston lê um bocado sobre o que ele já sabia. Julia chega, e depois que eles fazem amor, ele começa a ler para ela. Logo Julia adormece; assim que ele percebe o fato, Winston coloca o livro de lado e adormece também.

Quando eles acordam, o antigo relógio marca 8:30, mas várias pistas indicam que é 8:30 da manhã e não 8:30 da noite, como os dois supõem. Eles se levantam, olhando para o mundo e sentindo como ele é belo, e que o futuro será mais feliz, mesmo que eles não estejam vivos para vê-lo chegar.

Subitamente, eles ouvem uma voz e se assustam. Havia uma teletela no quarto, por trás de uma pintura pendurada na parede sobre a cama. Winston e Julia tinham sido apanhados. Indefesos, eles são levados pela Polícia do Pensamento, seu breve momento de felicidade destruído.

Parte 3

Depois de ser mantido numa prisão comum por algum tempo, Winston é transferido para o Ministério do Amor. Ele fica sentado na sua cela, faminto, sedento, torturado de medo, esperando algo que ele não sabe o que é. Enquanto espera, pessoas vem e vão, incluindo Ampleforth, o poeta do seu departamento, e Parsons, que tinha sido denunciado pela sua filha de sete anos. Chegam outras pessoas que ele não conhece e, através delas, ele ouve falar na Sala 101, que parece aterrorizar todos. Ele pensa saudosamente em receber uma navalha da Irmandade, embora saiba que provavelmente não a usaria.

Por fim, a porta se abre e, para seu profundo choque, O’Brien entra. Ele supõe que O’Brien tinha sido capturado, mas logo descobre que O’Brien nunca tinha sido membro da Irmandade, e que toda a situação tinha sido uma armadilha.

Winston é torturado e interrogado por um tempo aparentemente infinito. De algum modo, ele sente que O’Brien está por trás de tudo, dirigindo o processo inteiro com uma forma distorcida de amor. Finalmente, ele se vê sozinho com O’Brien, que diz a Winston que ele é insano e que eles precisam trabalhar juntos para curá-lo. As discussões de Winston e O’Brien giram sobre a natureza do passado e da realidade, e mostram a posição do Partido sobre estes assuntos. Elas também descrevem boa parte da intrincada personalidade de O’Brien. Talvez a mais importante revelação seja a resposta à pergunta mais básica de Winston: por que tudo isso? O’Brien explica com intensidade quase lunática que o Partido busca o poder pelo próprio poder, e irá aperfeiçoar o que já faz, transformando o mundo num pesadelo ainda maior do que já é.

Winston não pode discordar; cada vez que ele o tenta, ele se depara com uma falácia lógica obstinada, um sistema de raciocínio completamente diferente que vai de encontro a toda a razão. Sua tentativa final de discordância faz com que O’Brien o obrigue a se olhar no espelho. Horrorizado, Winston descobre que se transformou num ser doentio e esquelético, espancado até ter um novo rosto.

Depois disso, Winston se submete à sua reeducação. Ele não é mais espancado, é alimentado em intervalos regulares e até mesmo é permitido dormir, embora as luzes nunca se apaguem. Winston parece estar fazendo "progressos", mas debaixo da superfície, ele ainda mantém um último resquício de si mesmo: seu amor por Julia. No entanto, ele acaba se traindo quando grita que ama Julia durante um sonho, cometendo uma nova "crimidéia" (pensamento criminoso).

Essa crimidéia é sua perdição. Ele é levado para a Sala 101, onde cada um é ameaçado com o que mais teme na vida - no caso do Winston, ser devorado vivo por ratos. Enlouquecido de pânico e de terror, Winston grita para seus torturadores que eles deveriam fazer isso com Julia, não com ele. Sua traição o salva fisicamente, mas agora ele não tem mais nenhum resto de dignidade nem de humanidade.

Winston é libertado, pois se transformou num ser vazio, completamente devotado ao Partido. Ele e Julia não se amam mais; depois da Sala 101, isso é impossível para ambos. Essencialmente, agora ele apenas espera pela morte.

Enquanto senta num café pensando distraidamente sobre sua vida, a teletela anuncia uma grande vitória da Oceania sobre a Eurásia (com a qual voltara a entrar em guerra), e que tinha conquistado controle total sobre a África. Winston fica tão excitado quanto os demais com esse triunfo, e ele admira o retrato do Grande Irmão com uma nova compreensão. Finalmente, ele amava o Grande Irmão.