O Caso dos Dez Negrinhos
Agatha Christie
A história se passa na Inglaterra, durante a década de 1920.
Onze pessoas, todas desconhecidas umas das outras, são convidadas para ir à Ilha do Negro, ao largo da costa inglesa. Vera Claythorne, uma antiga governanta, pensa que foi empregada como secretária; Philip Lombard, um aventureiro, e William Blore, um ex-detetive, acham que foram contratados para impedir problemas durante o final de semana; e o Dr. Armstrong pensa ter sido contratado para cuidar da saúde do proprietário da ilha. Por sua vez, Emily Brent, o General Macarthur, Tony Marston e o Juiz Wargrave acreditam que estão indo visitar velhos amigos.
Ao chegarem na ilha, os convidados são recebidos pelo Sr. Rogers e pela Sra. Rogers, respectivamente mordomo e caseira, que informam que o anfitrião, chamado por eles de “Sr. Owen”, não chegará até o dia seguinte. Naquela noite, quando todos os convidados estão reunidos no salão após um excelente jantar, eles ouvem uma voz gravada acusando cada um deles por um crime cometido no passado e jamais punido. Eles comparam notas e descobrem que nenhum deles, incluindo os criados, conhece o “Sr. Owen”, o que sugere que eles tinham sido trazidos para ali de acordo com os estranhos planos de alguém.
Enquanto discutem o que fazer, Tony Marston bebe um uísque envenenado e morre. Assustado, o grupo vai se deitar, e quase todos são assombrados pela culpa e pela lembrança dos seus crimes. Vera Claythorne nota a semelhança entre a morte de Marston e o primeiro verso de uma poesia infantil, “Os Dez Negrinhos”, que está pendurada na parede de todos os quartos.
Na manhã seguinte, os convidados descobrem que a Sra. Rogers aparentemente morreu durante o sono. Todos esperam partir pela manhã, mas o barco que regularmente traz suprimentos para a ilha não aparece. Blore, Lombard e Armstrong decidem que as mortes devem ter sido assassinatos e resolvem vasculhar a ilha à procura do misterioso Sr. Owen. No entanto, eles não encontram ninguém. Enquanto isso, o mais velho dos visitantes, o General Macarthur, sente que irá morrer e vai contemplar o oceano. Antes do almoço, o Dr. Armstrong encontra Macarthur morto devido a uma pancada na cabeça.
Os convidados restantes se reúnem para discutir a situação. Eles concluem que um deles deve ser o assassino. Muitos fazem acusações vagas, mas o Juiz Wargrave os lembra que as evidências afirmam que qualquer um deles pode ser o assassino. A tarde e a noite passam de modo inquieto e todos vão dormir, trancando as portas dos quartos por precaução.
Na manhã seguinte, eles descobrem que Rogers tinha sido morto enquanto cortava lenha para acender o fogão e preparar o café da manhã. Neste momento, os convidados têm certeza de que os assassinatos estão sendo realizados de acordo com a poesia infantil. Além disso, eles percebem que a mesa de jantar tinha inicialmente dez figuras de negrinhos, mas, a cada morte, uma delas desaparece.
Depois do café da manhã, Emily Brent sente-se ligeiramente tonta e fica sozinha na mesa por algum tempo. Logo ela é encontrada morta, tendo sido injetado veneno no seu pescoço. Neste ponto, Wargrave inicia uma busca organizada nos pertences de cada um e tudo o que possa servir como arma é trancado. Os convidados restantes sentam-se juntos, passando o tempo e lançando olhares suspeitos uns para os outros. Finalmente, Vera vai tomar um banho, mas ela se assusta com um pedaço de alga pendurada no teto do banheiro e dá um forte grito. Blore, Lombard e Armstrong correm para ajudá-la. Ao descerem as escadas e retornarem para a sala, eles encontram Wargrave enrolado numa cortina como se fosse uma toga usada nos julgamentos e com uma marca vermelha na testa. Armstrong examina o corpo e diz que Wargrave tinha sido morto com um tiro na testa.
Nesta noite, Blore ouve passos no salão; quando ele vai investigar, descobre que Armstrong não está no seu quarto. Blore e Lombard procuram por Armstrong, mas eles não conseguem encontrá-lo em nenhum lugar da casa e nem da ilha. Quando eles voltam, descobrem que falta mais um negrinho na mesa.
Vera, Lombard e Blore vão para o lado de fora da casa, resolvidos a ficar em segurança ao ar livre. Blore decide voltar para a casa para apanhar comida. Os outros dois ouvem um estrondo e descobrem que alguém tinha empurrado uma estátua de uma janela no segundo andar, matando Blore quando ele se aproximava da casa. Vera e Lombard se afastam na direção do mar, e encontram o corpo afogado de Armstrong na praia. Convencida de que Lombard é o assassino, Vera rouba a arma dele e o mata com um tiro no coração. Ela volta para seu quarto para descansar, feliz por ter sobrevivido. Ao entrar no seu quarto, ela encontra um laço de forca pendurado no teto, com uma cadeira debaixo dele. Ela sente uma estranha compulsão em cumprir a última linha da poesia e se enforca.
O mistério intriga a polícia até que é encontrada uma garrafa com um manuscrito. O falecido Juiz Wargrave escrevera o manuscrito explicando que ele planejara os assassinatos porque ele desejava castigar aqueles cujos crimes não são cobertos pela lei. Wargrave admite francamente sua ânsia por sangue e seu prazer em ver os culpados castigados. Quando um médico diz a Wargrave que ele sofria de uma doença incurável, ele decide morrer em grande estilo, ao invés de deixar sua vida terminar lentamente. Ele descreve como escolhera suas vítimas, e como se livrara de Marston, dos Rogers, de Macarthur e de Emily Brent. A seguir, Wargrave explica como ele enganara Armstrong e o induzira a ajudá-lo a forjar sua própria morte, prometendo encontrá-lo nos rochedos para discutir um plano. Quando Armstrong chegou, Wargrave o empurrou no mar, voltou para casa e fingiu estar morto. Seu estratagema permitiu que ele se livrasse do resto dos convidados sem despertar suspeitas. Depois de Vera ter se enforcado com a corda que ele preparara para ela, Wargrave arrumou a cadeira derrubada por ela e planejou atirar em si mesmo de forma que seu corpo caísse na cama como se tivesse sido deixado lá. Assim, ele esperava, a polícia encontraria apenas dez cadáveres numa ilha deserta.